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Dez trabalhadores humanitários desaparecem no Sudão do Sul, diz ONU

Os voluntários atuam para diferentes instituições; principal suspeita é a de que eles tenham sido levados por grupos armados

Dez trabalhadores humanitários desapareceram nos arredores da cidade de Yei, no Sudão do Sul, informou nesta quinta-feira o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU). As autoridades suspeitam que eles possam ter sido levados por grupos armados.

Em comunicado, a ONU indicou que o comboio no qual viajavam os dez voluntários saiu na quarta-feira de Yei, no estado de Ecuatoria Central, em direção à cidade de Torre para realizar uma avaliação humanitária no local. O percurso tinha aproximadamente 80 quilômetros.

“Estamos profundamente preocupados com o paradeiro desses voluntários e procuramos urgentemente informações sobre o seu bem-estar”, disse o coordenador humanitário da ONU para o Sudão do Sul, Alain Noudéhou.

Os dez voluntários, todos oriundos do Sudão do Sul, trabalham para o OCHA, o Unicef, a Organização de Desenvolvimento do Sudão do Sul (SSDO), Plano Internacional, Action Africa Help (AAH) e a associação ACROSS.

“Condeno firmemente o último ataque contra os companheiros comprometidos com a assistência humanitária urgente em Ecuatoria Central e chamo todas as partes do conflito no Sudão do Sul a garantirem o ambiente, com o objetivo de levar a distribuição de assistência”, disse Noudéhou.

Se a suspeita for confirmada, este será o segundo incidente em abril no qual grupos armados retêm voluntários, e o terceiro em seis meses, indica o comunicado.

No Sudão do Sul, 98 trabalhadores humanitários morreram desde dezembro de 2003, segundo as últimas estatísticas da ONU.

O conflito no Sudão do Sul explodiu em dezembro de 2013 entre as forças do presidente, Salva Kiir, da etnia dinka, e as do seu então vice-presidente, Riek Machar, da tribo nuer. Ambas as partes chegaram a um acordo de paz em 2015, que levou à criação de um governo de unidade. Mas, em 2016, a violência reapareceu.

Um novo acordo de cessação de hostilidades entrou em vigor em 24 de dezembro do ano passado. Desde então tanto o governo quanto a oposição se acusaram mutuamente da continuação dos ataques e o pacto ficou só no papel.

(Com EFE)