Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Deputado diz que Japão encobria dados sobre tema nuclear

Governo ocultaria os custos e problemas associados a esse ramo da indústria

Por Da Redação 16 mar 2011, 11h01

Dois anos antes do recente terremoto seguido de tsunami que abalou o Japão e ainda ameaça uma catástrofe nuclear, um despacho da embaixada dos Estados Unidos em Tóquio revelava descontentamento e preocupação de uma importante figura política japonesa em relação à política nuclear de seu país. Segundo o documento, obtido pelo site WikiLeaks e divulgado pelo jornal britânico Guardian, o governo encobriria informações sobre acidentes nucleares, além de ocultar os custos e problemas associados a esse ramo da indústria.

O deputado Taro Kono, um dos principais líderes do Partido Liberal-Democrata – que governou o país de 1995 a 2009 e, portanto, estava no poder no momento do encontro -, mirou suas críticas na atuação do Ministério de Economia, Comércio e Indústria, responsável pelo setor nuclear no país, e nas companhias energéticas japonesas. A conversa entre Kono e um grupo diplomático americano teria ocorrido em outubro daquele ano, durante um jantar, relatada em um texto assinado pelo embaixador Thomas Schieffer.

No documento, Kono fazia forte oposição à estratégia energética e nuclear japonesa, especialmente em relação a questões como custos e segurança. Ele ainda teria demonstrado preocupação com os resíduos de energia nuclear coletados pelas empresas, já que o Japão não tem nenhum local de armazenamento permanente dos resíduos de alto nível. O deputado também acusou o ministério de sonegar e selecionar informações do setor a serem repassadas aos parlamentares de acordo com seu próprio interesse.

A Agência Internacional para a Energia Atômica (AIEA) também teria avisado o Japão de que as centrais nucleares não estavam devidamente preparadas para a ocorrência de sismos. Em dezembro de 2008, a organização alertou que as regras de segurança das centrais nucleares estavam ultrapassadas e que tremores fortes poderiam ser um “sério problema”.

Continua após a publicidade
Publicidade