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Deputadas atacadas por Trump pedem impeachment do presidente dos EUA

Congressistas democratas de descendência estrangeira afirmaram que comentários racistas do republicano são distração para suas políticas

As quatro deputadas atacadas com comentários racistas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediram o impeachment do republicano em uma coletiva de imprensa na noite de segunda-feira 15.

As democratas Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar, Ayanna Pressley e Rashida Tlaib afirmaram que as declarações de Trump são apenas distrações para as políticas de seu governo e pediram que os cidadãos americanos “não mordam a isca”.

Em seu primeiro ataque no domingo, o presidente americano disse — sem mencionar nomes — que deputadas democratas de origem estrangeira deveriam retornar ao seu país para ajudar a consertar “os lugares totalmente quebrados e infestados com crime de onde vieram”.

Após receber muitas críticas, Trump voltou a atacar as congressistas nesta segunda, dizendo que as parlamentares são um “bando de comunistas” e as acusando de serem “antissemitas” e antiamericanas.

As quatro legisladoras reagiram denunciando Trump por promover uma “agenda nacionalista branca” e prometeram não se intimidar. “Não seremos caladas”, afirmou Ayanna Pressley na entrevista coletiva.

Pressley acusou Trump de carecer da “graça, empatia, compaixão e integridade que requer o gabinete presidencial”.

“No entanto, incentivo os americanos (…) a não morder o anzol”, acrescentou, vendo nos ataques de bilionário republicano “uma distração” para desviar a atenção “dos problemas que afetam os cidadãos americanos”.

Ilhan Omar acusou Trump de ser o autor de um “ataque abertamente racista contra quatro legisladoras de cor” para promover as ideias dos nacionalistas brancos.

A mais jovem congressista, Alexandria Ocasio-Cortez, disse por sua vez que não estava “surpresa” com a “retórica” do presidente, acusado regularmente de racismo desde que chegou à Casa Branca em 2017.

Finalmente, Rashida Tlaib pediu novamente que se inicie um processo de impeachment contra Donald Trump, uma questão que divide a oposição democrata.

Em seus comentários, Trump não citou explicitamente o nome das deputadas democratas, mas o contexto de suas declarações deixou claro que se referia às quatro mulheres, que são conhecidas como “O Esquadrão”.

Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e Ayanna Pressley nasceram nos Estados Unidos, mas são de famílias estrangeiras. Já Omar chegou ao país ainda criança como refugiada vinda da Somália e é a primeira mulher negra e muçulmana a vencer uma eleição parlamentar no país.

Ocasio-Cortez é de família porto-riquenha, Tlaib, de família palestina e Pressley é afro-americana.

As declarações de Trump foram criticadas não só pelas deputadas, mas também por membros do Partido Republicano. O senador Tim Scott advertiu Trump por ter se valido de “ataques pessoais inaceitáveis e usado linguagem racialmente ofensiva”.

As declarações do presidente americano também caíram mal fora das fronteiras dos Estados Unidos e receberam críticas do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e da primeira-ministra britânica, Theresa May.

Já a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, afirmou na manhã de segunda que colocaria em pauta a votação de uma resolução de rejeição oficial da Câmara aos tuítes “xenofóbicos e racistas” de Trump.

Em sua fúria, o americano também atacou Pelosi por sua defesa das deputadas. O presidente, que está em franca campanha para sua reeleição em 2020, acusou a democrata de ter sido racista ao mencionar que o lema presidencial era “Fazer a América branca grande de novo”.

“Isso é uma declaração muito racista. Estou surpreso que ela tenha dito isso”, ironizou o presidente dos Estados Unidos.