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Deputadas atacadas por Trump pedem impeachment do presidente dos EUA

Congressistas democratas de descendência estrangeira afirmaram que comentários racistas do republicano são distração para suas políticas

Por Da Redação - Atualizado em 16 jul 2019, 15h28 - Publicado em 16 jul 2019, 09h02

As quatro deputadas atacadas com comentários racistas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediram o impeachment do republicano em uma coletiva de imprensa na noite de segunda-feira 15.

As democratas Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar, Ayanna Pressley e Rashida Tlaib afirmaram que as declarações de Trump são apenas distrações para as políticas de seu governo e pediram que os cidadãos americanos “não mordam a isca”.

Em seu primeiro ataque no domingo, o presidente americano disse — sem mencionar nomes — que deputadas democratas de origem estrangeira deveriam retornar ao seu país para ajudar a consertar “os lugares totalmente quebrados e infestados com crime de onde vieram”.

Após receber muitas críticas, Trump voltou a atacar as congressistas nesta segunda, dizendo que as parlamentares são um “bando de comunistas” e as acusando de serem “antissemitas” e antiamericanas.

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As quatro legisladoras reagiram denunciando Trump por promover uma “agenda nacionalista branca” e prometeram não se intimidar. “Não seremos caladas”, afirmou Ayanna Pressley na entrevista coletiva.

Pressley acusou Trump de carecer da “graça, empatia, compaixão e integridade que requer o gabinete presidencial”.

“No entanto, incentivo os americanos (…) a não morder o anzol”, acrescentou, vendo nos ataques de bilionário republicano “uma distração” para desviar a atenção “dos problemas que afetam os cidadãos americanos”.

Ilhan Omar acusou Trump de ser o autor de um “ataque abertamente racista contra quatro legisladoras de cor” para promover as ideias dos nacionalistas brancos.

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A mais jovem congressista, Alexandria Ocasio-Cortez, disse por sua vez que não estava “surpresa” com a “retórica” do presidente, acusado regularmente de racismo desde que chegou à Casa Branca em 2017.

Finalmente, Rashida Tlaib pediu novamente que se inicie um processo de impeachment contra Donald Trump, uma questão que divide a oposição democrata.

Em seus comentários, Trump não citou explicitamente o nome das deputadas democratas, mas o contexto de suas declarações deixou claro que se referia às quatro mulheres, que são conhecidas como “O Esquadrão”.

Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e Ayanna Pressley nasceram nos Estados Unidos, mas são de famílias estrangeiras. Já Omar chegou ao país ainda criança como refugiada vinda da Somália e é a primeira mulher negra e muçulmana a vencer uma eleição parlamentar no país.

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Ocasio-Cortez é de família porto-riquenha, Tlaib, de família palestina e Pressley é afro-americana.

As declarações de Trump foram criticadas não só pelas deputadas, mas também por membros do Partido Republicano. O senador Tim Scott advertiu Trump por ter se valido de “ataques pessoais inaceitáveis e usado linguagem racialmente ofensiva”.

As declarações do presidente americano também caíram mal fora das fronteiras dos Estados Unidos e receberam críticas do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e da primeira-ministra britânica, Theresa May.

Já a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, afirmou na manhã de segunda que colocaria em pauta a votação de uma resolução de rejeição oficial da Câmara aos tuítes “xenofóbicos e racistas” de Trump.

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Em sua fúria, o americano também atacou Pelosi por sua defesa das deputadas. O presidente, que está em franca campanha para sua reeleição em 2020, acusou a democrata de ter sido racista ao mencionar que o lema presidencial era “Fazer a América branca grande de novo”.

“Isso é uma declaração muito racista. Estou surpreso que ela tenha dito isso”, ironizou o presidente dos Estados Unidos.

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