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Depois de Macron, Merkel vai a Washington para tentar convencer Trump

A chanceler alemã pretende negociar a isenção da União Europeia das tarifas sobre aço e alumínio e manter o acordo sobre o programa nuclear do Irã

Por Da redação - Atualizado em 27 Apr 2018, 12h46 - Publicado em 27 Apr 2018, 12h45

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, desembarcou hoje (27) nos Estados Unidos para uma nova  tentativa europeia de convencer o presidente americano, Donald Trump, a liberar a União Europeia (UE) das novas tarifas sobre aço e alumínio e para preservar o acordo estratégico sobre o programa nuclear do Irã.

A viagem acontece poucos dias após o retorno do presidente da França, Emmanuel Macron, que também esteve em Washington nesta semana em reuniões com Trump. Apesar da cumplicidade que exibiu com o presidente americano, Macron não conseguiu concessões em nenhum desses assuntos importantes.

Trump receberá Merkel para uma reunião de trabalho, seguida de almoço, na Casa Branca dentro de alguns minutos. Ambos darão uma entrevista coletiva à imprensa antes da partida de Merkel para a Alemanha, prevista para as 14h20 (15h20, no horário de Brasília).

A chanceler alemã não parece disposta a se iludir, especialmente acerca das tarifas sobre aço e alumínio europeus. “Devemos partir do princípio de que as tarifas estarão aí a partir de 1 de maio”, apontou nesta quinta-feira uma autoridade do governo alemão, que pediu anonimato. “Veremos o que fazer.”

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O presidente americano promulgou em março a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio, acusando seus parceiros comerciais de práticas desleais. A UE se beneficiou de uma isenção até 1 de maio, em troca de um pedido de abertura maior dos mercados europeus.

Represálias

Os europeus já alertaram que vão impor medidas de represália contra produtos americanos se não forem excluídos permanentemente das novas taxas. Em resposta, Trump mencionou outras medidas punitivas, especialmente ao estratégico setor automotivo alemão, cujos excedentes comerciais têm incomodado o presidente americano.

“A posição da chanceler é que preferimos negociar, mas para isso teria que haver uma isenção duradoura das tarifas”, explicou o alto funcionário alemão, insistindo que o Executivo de Merkel deseja “aprofundar as importantes e boas relações [econômicas] com os americanos”.

O outro objetivo da chanceler, assim como de Macron, é convencer o presidente americano de que, na falta de uma solução alternativa, melhor será preserver o acordo sobre o programa nuclear iraniano, sem o qual Teerã poderia retomar o desenvolvimento de uma arma atômica.

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Trump se prepara para denunciar o texto  negociado durante o governo de sua antecessor, Barack Obama  antes da data-limite de 12 de maio. Macron propôs a negociação de um acordo complementar para responder a algumas reivindicações dos Estados Unidos, especialmente sobre o programa balístico iraniano. Mas depois se mostrou pessimista sobre as intenções de seu equivalente americano.

Mesmo assim, a fonte alemã ouvida pela reportagem insistiu que o acordo com o Irã “não pode ser dissolvido de forma unilateral”. À exceção de Washington, todos os signatários do pacto  Paris, Berlim, Londres, UE, Pequim e Moscou  e os inspetores internacionais consideram que Teerã está cumprindo seus compromissos.

‘Tesouro’

Outro obstáculo para Merkel é o relacionamento frio que ela mantém com o presidente americano. Seu encontro não deve durar mais que 15 minutos na tarde de hoje, longe dos esplendores que Trump reservou para o mandatário francês.

Antes e depois de sua eleição, o presidente americano atacou a Alemanha e a chanceler, criticando gastos militares insuficientes, a recepção de refugiados muçulmanos, ou uma política comercial antiamericana. Berlim, sua aliada quase indefectível há 70 anos, de um dia para o outro se tornou um alvo.

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Já Merkel declarou, após a cúpula do G7 do ano passado, que era de confiança entre europeus e americanos reinava praticamente havia “passado”. Apesar disso,  a chanceler prometeu na semana passada que “o relacionamento transatlântico é um tesouro que quero cultivar e cuidar”.

 

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