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Depois de atentado, clima de medo toma conta da população

Governo ainda apresenta declarações desencontradas sobre participação das Farc

Enquanto o governo tenta descobrir a autoria da explosão de um carro-bomba na madrugada desta quinta-feira em Bogotá, a população demonstra medo e cautela com o que acontecerá no país com o novo governo. Andrés Soler, proprietário de um estabelecimento que fica a quatro quadras de onde aconteceu o atentado, conta que estava em casa quando ouviu o barulho da explosão. “O terrorrismo está de volta ao país, estamos com medo”, disse a VEJA.com.

Segundo Soler, as ruas ficaram vazias e o comércio ficou fechado durante toda a manhã. As atividades foram retomadas no começo da tarde. “Agora tenho uma reunião do outro lado da cidade e estou com medo de sair, todos estamos, mas vai passar”, contou. Sobre a autoria do ataque, opina: “Foram as Farc, quem mais seria?”

Do lado do governo, as informações ainda são desencontradas. Mais cedo, o presidente Juan Manuel Santos, que assumiu a presidência do país no último sábado, disse que se trata de um atentado. Em pronunciamento no início da tarde, o ministro da Defesa, Rodrido Salazar, afirmou que as autoridades já têm indícios claros dos autores da explosão.

No entanto, em entrevista a VEJA.com, a porta-voz da presidência da Colômbia, Adriana Vargas, não confirmou as informações do ministro e disse que o governo não fala oficialmente sobre a autoria do ataque, nem sobre uma possível participação das Farc. “A presidência permanecerá atenta ao assunto e está tomando as medidas que lhe cabem”. A porta-voz quis amenizar a reação das pessoas: “Está tudo sob controle, a população não está assustada, o país está tranquilo”, disse.

As Forças Militares e a Polícia colombiana informaram que estão analisando os vídeos de segurança da Rádio Caracol e de edifícios ao redor do local onde ocorreu a explosão, que acabou deixando nove pessoas feridas e afetando mais de 1.000 edifícios. Autoridades também confirmaram que o veículo foi roubado. O proprietário relatou que foi assaltado por três mulheres.

A Colômbia vive um conflito interno de mais de quatro décadas e meia, no qual as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – uma guerrilha esquerdista – e grupos formados por antigos paramilitares de ultradireita enfrentam as Forças Armadas do país.