Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Democratas americanos abrem série de debates

O campo numeroso de aspirantes à Casa Branca obriga o Partido Democrata a dividir o primeiro debate em duas noites e a descartar quatro

A mais longa campanha presidencial americana esquenta nesta semana com duas noites de debates entre os pré-candidatos do Partido Democrata à Casa Branca. Os aspirantes a frear a reeleição de Donald Trump são numerosos o bastante para formar dois times de futebol, mas só vinte participam dos debates, na quarta-feira, 26 e quinta-feira, 27, em Miami.

Apesar da distância das primárias eleitorais, em meados de 2020, os primeiros debates têm potencial de encurtar o populoso campo de aspirantes democratas. Não há doadores democratas para sustentar as atuais 24 pré-candidaturas. Os desempenhos desta semana podem fechar a torneira dos dólares para vários azarões. A campanha de reeleição de Trump já ultrapassou 100 milhões de dólares em doações.

O critério para participar dos debates, estabelecido pelo Comitê Democrata Nacional, é o de quem tem bala na agulha para financiar sua campanha. Para se qualificar, cada pré-candidato teria que conseguir 65.000 doadores ou pelo menos 200 doadores em vinte estados ou obter pelo menos 1% de preferência nas pesquisas de opinião certificadas pelo Comitê.

Se mais de vinte candidatos tivessem se qualificado, o Comitê escolheria os que tivessem atingido dois dos três critérios, seguidos dos que tivessem e média mais alta nas pesquisas.

Na primeira noite os debatedores são os texanos Beto O’Rourke e Julián Castro, os senadores Cory Booker, Elizabeth Warren e Amy Klobuchar, o governador do Estado de Washington, Jay Inslee, deputados Tim Ryan e Tulsi Gabbard, o ex-deputado John Delaney e o prefeito de Nova York, Bill de Blasio.

Na segunda noite, o atual favorito nas pesquisas eleitorais, o ex-vice-presidente Joe Biden deve ser o principal alvo da artilharia de seus concorrentes: os senadores Bernie Sanders, Michael Bennett, Kamala Harris e Kirsten Gillibrand, o prefeito de South Bend, Pete Buttigieg, o ex-governador do Colorado John Hickenlooper, o deputado Eric Sallwell, o empresário Andrew Yang e a autora de livros de autoajuda Marianne Williamson.

Ao todo, o Partido Democrata vai promover doze debates, dos quais seis até dezembro deste ano e os outros durante o período das primárias eleitorais, que começa em janeiro. Além de testar a capacidade de organização do Comitê Democrata Nacional, os primeiros debates vão lembrar quanto o partido saiu chamuscado de 2016.

E-mails vazados por hackers russos na véspera da convenção, em julho daquele ano, mostravam que a campanha de Hillary Clinton havia assumido poder habitualmente atribuído ao comando do partido. As revelações serviram para alienar os eleitores do senador Bernie Sanders, um independente que se candidatara, como de novo neste ano, pela sigla democrata.

Um dos desafios da liderança do partido desta vez é não alienar progressistas já alinhados com Sanders sem descontentar o segmento eleitoral das mulheres centristas. Muitas delas foram eleitoras de Trump em 2016, mas votaram majoritariamente nos candidatos democratas na eleição legislativa de novembro de 2018, quando os republicanos perderam a maioria dos votos na Câmara para os seus opositores.

Tudo, menos Trump

O republicano Donald Trump: agitador no Twitter dos debates democratas – 16/06/2019

O republicano Donald Trump: agitador no Twitter dos debates democratas – 16/06/2019 (Manoel Ngan/AFP)

O presidente Trump ameaça tuitar durante os debates democratas ao vivo, apesar de estar em viagem para a reunião de cúpula do G20 em Osaka, Japão. Uma pesquisa realizada pelo jornal USA Today, na semana passada, revelou o nome que os eleitores democratas não querem ouvir nos debates: Donald Trump.

As prioridades dos eleitores democratas são seguro saúde, imigração, economia, mudança de clima, educação e impostos. Apenas 1% dos consultados manifestou preocupação com a interferência russa na eleição presidencial de 2016.

Alvo favorito

Joe Biden, que continua liderando nas pesquisas nacionais, é o que mais tem a perder ao ingressar no palco da segunda noite de debates, na quinta-feira, 27. Ele estará na mira dos progressistas como Bernie Sanders. Pode levar indiretas sobre seus 76 anos de idade de Pete Buttigieg, quatro décadas mais jovem.

E será alvo de candidatos desconhecidos, como o empresário Andrew Yang, que torce por um momento viral que tenha vida longa nas redes sociais e no YouTube. Yang, filho de imigrantes de Taiwan, faz piada sobre seu anonimato. Diz que fica feliz se sair do debate conhecido como “aquele asiático ao lado do Joe Biden”.