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Defesa do soldado que vazou informações ao Wikileaks pedirá acesso às provas

Elvira Palomo.

Fort Meade (EUA.), 15 mar (EFE).- Os advogados de defesa do soldado americano Bradley Manning, acusado de vazar documentos confidenciais ao portal Wikileaks, solicitará nesta quinta-feira acesso a determinadas provas numa audiência na qual deverá ser definida a composição do tribunal que julgará o militar.

Segundo adiantou uma fonte jurídica, a defesa irá requerer acesso a algumas provas e pedirá o comparecimento de testemunhas, embora a lista delas ainda não tenha sido divulgada.

Por se tratar de uma corte marcial, o acusado tem a opção escolher como será julgado: por um juiz, um grupo de oficiais ou por um painel de oficiais no qual um terço dos designados são soldados.

Está previsto também que seja apresentado um calendário das próximas audiências, embora não é certo que a data do julgamento propriamente dito (que poderia começar em meados do ano) seja marcada.

Apesar da sessão de hoje ser uma audiência para resolver procedimentos, a defesa pode apresentar a declaração de culpabilidade ou inocência em qualquer momento.

A audiência será celebrada em Fort Meade, no estado de Maryland, vizinho à capital Washington, onde em 24 de fevereiro a juíza militar coronel Denise Lind leu formalmente para Manning as acusações apresentadas contra ele, iniciando assim a primeira fase do julgamento.

Manning, de 24 anos, está sendo processado por 22 crimes por passar documentos confidenciais do exército sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e telegramas do Departamento de Estado dos EUA ao Wikileaks, no que foi considerado o maior caso de vazamento de informação da história do país.

As informações foram obtidas quando o soldado trabalhava como analista de inteligência no Iraque. Se for declarado culpado, Manning poderá ser condenado à prisão perpétua, apesar de sua defesa ter pedido uma pena máxima de 30 anos.

Na audiência de leitura das acusações, seu advogado civil, David Coombs, afirmou que além disso seu cliente já cumpriu 635 dias de prisão desde que foi detido em maio de 2010.

Na mesma audiência, ele evitou se declarar culpado ou inocente no que poderia ser uma manobra para a defesa conseguir um acordo para diminuir sua pena.

Os documentos militares revelam denúncias de torturas e abusos que os Estados Unidos nunca investigaram, assim como morte de civis que jamais foram informadas. Já os relatórios diplomáticos do Departamento de Estado mostram opiniões confidenciais de altos funcionários e diplomatas sobre política internacional.

O Governo dos EUA considerou que o vazamento das informações no Wikileaks era ‘perigoso e temerário’, e advertiu que significava uma ameaça à segurança nacional e para os estrangeiros que trabalham nas embaixadas ou colaboram com as Forças Armadas americanas.

Os defensores de Wikileaks, por sua parte, acreditam que os documentos serviram para mostrar ao mundo os abusos cometidos pelos EUA e consideram Manning um prisioneiro político.

Na audiência preliminar de dezembro passado, a acusação apresentou testemunhos e provas eletrônicas que demonstram que Manning enviou mais de 700 mil documentos ao Wikileaks, portal fundado pelo australiano Julian Assange.

Manning trabalhou como analista de informação no Iraque de outubro de 2009 até sua detenção, em maio de 2010, quando um informante do Pentágono, o hacker Adrian Lambo, supostamente teria o delatado. EFE