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Declarações de Trump após ataques incomodam lobby de armas dos EUA

Presidente americano propôs endurecer verificação de antecedentes criminais de compradores de armamentos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está sofrendo pressão do lobby armamentista depois de ter proposto fortalecer o controle para a venda de armas no país, segundo o jornal The Washington Post.

Trump, que em diversas ocasiões se mostrou favorável à flexibilização das leis de porte de arma no país, propôs nesta semana endurecer a verificação dos antecedentes criminais de compradores de armamentos, após dois trágicos ataques a tiros durante o final de semana matarem 31 pessoas.

Segundo o Washington Post, o republicano chegou inclusive a discutir essa proposta com deputados e senadores em reuniões privadas na Casa Branca. Diante da possibilidade de que uma medida como essa fosse aprovada no Congresso, o lobby das armas reagiu imediatamente, pressionando Trump.

É de conhecimento geral que o presidente americano é muito influenciado, desde o início de seu mandato, pela Associação Nacional do Rifle (NRA), o maior grupo a favor das armas no país.

A organização tem grande prestígio na política americana e investiu por volta de 30 milhões de dólares na campanha eleitoral de Trump em 2016, segundo uma análise dos registros públicos de financiamento.

Na terça-feira 6, o presidente americano afirmou que “há grande apetite” para fortalecer a verificação dos antecedentes criminais, em declarações à imprensa na Casa Branca antes de viajar para as cidades de El Paso, no Texas, e Dayton, em Ohio, palcos dos dois ataques do fim de semana passado.

“Acredito que tanto republicanos como democratas estão se aproximando de uma lei que endureceria o controle de antecedentes”, comentou Trump. “Os controles de antecedentes criminais são importantes. Não quero armas em mãos de gente instável, de gente com raiva ou com ódio, gente doente”, frisou.

No mesmo dia, o diretor executivo da NRA, Wayne LaPierre, entrou em contato com o presidente e expressou seu descontentamento com qualquer mudança da lei nesse sentido, segundo afirmaram fontes ao Washington Post.

LaPierre teria dito ainda que a medida não seria popular entre os apoiadores de Donald Trump. O atual presidente concorrerá à reeleição nas eleições de 2020 pelo Partido Republicano.

Discussões no Congresso

Apesar de Trump, ter pedido reformas nas leis sobre armas de fogo, é improvável que as divisões no Congresso permitam medidas importantes.

Os legisladores democratas, entre eles vários pré-candidatos às eleições de 2020, buscam aproveitar o momento, pedindo medidas radicais para conter a violência. Eles pedem mais verificações de antecedentes para os compradores de armas, algo que a maioria dos americanos apoia.

Muitos também buscam restaurar uma proibição de venda de armas de tipo militar e proibir os carregadores de alta capacidade, usados no tiroteio do fim de semana em Dayton, Ohio, onde um homem matou nove pessoas em apenas 30 segundos.

A maioria dos republicanos permanece em silêncio quanto às medidas a serem tomadas contra o acesso às armas depois dos tiroteios.

Esse sentimento bipartidarista para agir parece estar crescendo, e alguns republicanos expressaram seu apoio a medidas para impedir que pessoas que não deveriam ter acesso às armas de fogo possam comprá-las, ou ter porte.

“Os dois horríveis tiroteios ocorridos no fim de semana demonstram por que devemos promulgar reformas de senso comum”, disse o senador republicano Marco Rubio.

Membros de ambos os partidos reconhecem que, além da NRA, há um legislador que impõe obstáculos no caminho: o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell.

Controlada pelos democratas, a Câmara de Representantes aprovou, no início do ano, um projeto de lei para evitar a venda de armas de fogo em feiras, ou entre indivíduos sem uma verificação de antecedentes, mas McConnell se negou a submetê-lo à votação no Senado.

“Se o líder McConnell levasse agora este projeto de lei para o Senado, acho que seria aprovado”, disse ontem o líder da minoria democrata da mesma Casa, senador Chuck Schumer, junto com o representante republicano Pete King, que copatrocinou o projeto de lei aprovado pela Câmara baixa.

“Este não deveria ser, de modo algum, um partidarista, embora com frequência seja”, afirmou King.

Nunca é fácil avançar esse tipo de projeto de lei no Congresso americano, mas, com a proximidade das eleições, os legisladores se mostram particularmente reagentes a adotar leis polêmicas.

(Com AFP)

Comentários

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  1. Paulo Bandarra

    Conseguir armas ilegais não é empecilho para homicidas.

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