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De saída, secretário de Justiça critica Apple e Google por burlar espionagem

Diante da iniciativa das empresas de encriptar dados, o braço direito de Obama afirmou que as autoridades não podem ser privadas de espionar os cidadãos

Por Da Redação 1 out 2014, 07h17

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, criticou nesta terça-feira as empresas de tecnologia Apple e Google após ambas anunciarem medidas para encriptar os dados de cidadãos comuns que usarem seus serviços. Tanto o iPhone 6, da Apple, quanto as próximas atualizações do sistema Android, do Google, contarão com um sofisticado sistema de encriptar dados que somente o próprio usário poderá desbloquear. A medida burlará a espionagem desempenhada pelo serviço secreto americano contra os próprios cidadãos, uma vez que nem mesmo as autoridades que tiverem mandados de busca poderão acessar as informações armazenadas nos aparelhos celulares.

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Holder, que renunciou ao cargo e só aguarda a indicação de um substituto para entregar a pasta, disse que as autoridades americanas não podem ser privadas de bisbilhotar as informações pessoais durante a investigação de um crime. “É totalmente possível permitir que as autoridades façam o seu trabalho enquanto se cumpre com a política de proteção à privacidade”, afirmou Holder, que é considerado um importante aliado do presidente Barack Obama. No ano passado, documentos vazados pelo ex-analista de inteligência da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) dos Estados Unidos, Edward Snowden, revelaram que o governo americano não só espionava informações pessoais de cidadãos que não tinham nenhuma relação com crimes ou atos de terrorismo, como também rastreava as comunicações de chefes de estado.

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Segundo o demissionário, o acesso rápido aos dados telefônicos podem ajudar as autoridades a encontrar e proteger vítimas, incluindo aquelas ameaçadas por sequestradores e criminosos sexuais. Fontes ligadas ao Departamento de Justiça dos EUA tentaram minimizar as declarações de Holder, dizendo que ele estava apenas pedindo a cooperação das companhias com o governo americano. Mas até mesmo o diretor do FBI, James Comey, já havia demonstrado preocupação com as restrições impostas à espionagem. “O que me deixa preocupado com isso é o fato destas companhias comercializarem algo que coloca essas pessoas acima da lei”, afirmou Comey. O FBI mantém conversas com a Apple e o Google para entender melhor a tecnologia empregada nos novos celulares.

(Com agência Reuters)

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