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De saída após acusações de assédio, governador de NY cita ‘golpe político’

Andrew Cuomo renunciou ao cargo após múltiplas denúncias e relatório de procuradora-geral, também criticada pelo político em discurso de despedida

Por Da Redação Atualizado em 23 ago 2021, 18h01 - Publicado em 23 ago 2021, 17h57

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, que renunciou ao cargo após ter sido acusado de assédio sexual por várias mulheres, culpou a procuradora-geral do estado, políticos e a imprensa por sua queda, em um discurso poucas horas antes de deixar oficialmente o posto, nesta segunda-feira, 23.

“Quando o governo politiza acusações e manchetes sem fatos, mina o sistema de justiça, e isso não ajuda as mulheres, nem os homens, nem a sociedade”, opinou Cuomo, de 63 anos, no início da sua última mensagem como governador, após dez anos no cargo.

Cuomo anunciou no dia 10 de agosto a renúncia, que, segundo ele, entraria em vigor em duas semanas, após a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, ter apresentado um relatório concluindo que o político nova-iorquino assediou sexualmente 11 mulheres no local de trabalho. 

Após a publicação do relatório de 168 páginas que detalhava as alegações, Cuomo passou a sofrer enorme pressão de importantes aliados democratas para deixar o posto, entre eles o presidente Joe Biden e a líder da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi. Os líderes da Assembleia Estadual também já haviam começado a redigir artigos de impeachment e pareceriam ter apoio suficiente para conseguir retirá-lo do cargo.

O relatório da procuradora levou até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a sugerir a demissão do governador.

No documento, Cuomo é acusado de ter beijado, apalpado e abraçado as mulheres sem consentimento, além de ter feito comentários inapropriados em conversas com elas. O democrata nega todas as acusações.

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  • A partir de depoimentos de 179 testemunhas e dezenas de milhares de documentos, o relatório também afirma que o gabinete do governador era um ambiente de medo de intimidação, formando um ambiente de trabalho hostil para muitos funcionários. Cuomo teria assediado sexualmente membros de seu próprio gabinete assim como outros funcionários públicos, incluindo uma policial, e membros do público, alega o relatório.

    Nesta segunda-feira, Cuomo afirmou que “o relatório da procuradora-geral foi elaborado para ser um explosivo político sobre um tópico explosivo, e funcionou. Houve uma debandada política e midiática. Mas a verdade será revelada com o tempo, tenho certeza”. 

    Durante o discurso, o governador recordou, mais uma vez, o que tem sido o seu mantra desde que as acusações surgiram: que as denúncias “não são fundamentadas em fatos”.

    “As alegações devem ser examinadas e verificadas, sejam feitas por uma mulher ou por um homem. Este é o nosso sistema básico de justiça”, comentou Cuomo.

    Apesar de ainda reconhecer “plena responsabilidade pelos atos”, embora continue acreditando que nunca agiu de forma inadequada, ele também declarou nesta segunda-feira que prolongar a situação “apenas causaria uma paralisação governamental”.

    Ao fim de sua fala, ele desejou sucesso a sua sua sucessora, a vice-governadora Kathy Hochul, usando a mesma frase que se tornou  famosa durante entrevistas coletivas diárias sobre o avanço da pandemia de Covid-19. 

    “Nova York, permaneça sempre firme, inteligente, unida, disciplinada e amorosa. Esta é a essência que torna os nova-iorquinos tão especiais. Deus os abençoe”, concluiu.

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