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Damasco: Número de mortes em ataque duplo sobe para 55

Dois veículos com 1 tonelada de bombas explodiram na capital nesta manhã

Por Da Redação 10 Maio 2012, 10h05

O número de mortes no duplo atentado suicida em Damasco, um dos mais sangrentos em 14 meses de violência interna na Síria, subiu nesta quinta-feira para 55, enquanto os feridos somam ao menos 372. Os ataques ocorreram às 8h locais (2h de Brasília) de forma quase simultânea na zona de Qazzaz, no sul de Damasco, quando “as pessoas se dirigiam ao trabalho e as crianças entravam na escola”, afirmou a televisão estatal.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“Os dois atentados que foram praticados com um minuto de intervalo são ataques suicidas com carros-bomba, e deixaram 55 mortos e 372 feridos, civis e militares”, informou a TV estatal citando o Ministério do Interior, indicando que a carga explosiva utilizada pesava “mais de 1.000 quilos”.

Os dois veículos repletos de bombas explodiram diante de um edifício de nove andares no qual se localiza um escritório dos serviços de inteligência. “É um dos ataques mais violentos na Síria desde o início da revolta”, afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

ONU – Pouco depois das explosões desta quinta, o emissário da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, condenou os “inaceitáveis” atentados de Damasco. “Esses atos odiosos são inaceitáveis e a violência na Síria deve parar”, afirmou o seu porta-voz, Ahmad Fawzi, em uma declaração escrita enviada aos meios de comunicação.

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“Annan está entristecido com a perda de vidas causada pelas duas explosões e apresenta suas condolências às famílias das vítimas”, disse Fawzi. “Qualquer ação que sirva para exacerbar as tensões e aumentar o nível de violência é contraproducente para os interesses de todas as partes”, considerou o enviado da ONU na declaração.

Responsabilidade – Como acontece desde o início da revolta na Síria, a rede de televisão pública responsabilizou os “terroristas”, em referência aos opositores do regime de Bashar Assad, pelos atentados, enquanto o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição, apontou Assad como responsável pelos ataques.

“O regime comete esses ataques para enviar duas mensagens: dizer aos observadores internacionais que estão em perigo e dar força aos seus argumentos sobre a presença de grupos armados e da Al Qaeda na Síria”, disse Samir Nachar, um dos dirigentes do CNS. “Infelizmente, a lentidão da comunidade internacional no caso sírio dá mais tempo ao regime para cometer esses atos”, lamentou.

No local dos atentados, os corpos destroçados se misturavam aos automóveis destruídos e aos escombros provocados pela forte explosão, que criou uma cratera de três metros de profundidade no solo e deixou vários edifícios praticamente destruídos. Os serviços de emergência, com a ajuda de vizinhos, retiravam os cadáveres carbonizados dos restos dos veículos, ainda fumegantes. “Esta é a liberdade que vocês querem? Crianças que iam à escola e funcionários que iam aos seus empregos morreram”, gritava um morador das imediações, atordoado em meio ao espetáculo desolador.

Pressão – Os ataques ocorrem em um momento de pressão internacional pela resolução do conflito na Síria, com a missão de observadores da ONU monitorando o respeito ao cessar-fogo instaurado em 12 de abril – que, claramente, não foi respeitado. Até mesmo os observadores internacionais mobilizados no país foram alvo de um ataque na quarta-feira, quando uma bomba explodiu na passagem do comboio da ONU e dez soldados ficaram feridos em Deraa (sul).

As violações do plano de paz de Kofi Annan levaram o ex-secretário-geral da ONU a expressar sua “profunda preocupação por ver a Síria afundar em uma guerra civil”. Na quarta-feira, o chefe da ONU, Ban Ki-moon, também disse que “temia uma grande guerra civil com efeitos catastróficos para a Síria e para a região” se a violência não parar imediatamente.

(Com agência France-Presse)

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