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Damasco ameaça usar armas químicas em caso de intervenção estrangeira

O regime sírio reconheceu pela primeira vez que possui armas químicas e ameaçou utilizá-las em caso de intervenção militar estrangeira, mas nunca contra a sua população, enquanto violentos combates prosseguem entre soldados e rebeldes em Aleppo e em Damasco.

A Síria rejeitou a proposta da Liga Árabe de uma saída negociada do poder do presidente Bashar al-Assad para acabar com a violência, que já causou mais de 19.000 mortes em 16 meses de revolta.

A comunidade internacional, incapaz de chegar a um acordo comum, reforçou suas sanções e o controle do embargo à venda de armas. Americanos e europeus também aumentaram a ajuda aos países vizinhos da Síria, onde mais de 120.000 sírios estão refugiados.

Em Damasco, palco de combates diários, as execuções se multiplicam. Ao menos 23 pessoas foram executadas sumariamente no domingo pelas forças do regime, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Dezesseis homens, a maioria com menos de 30 anos, foram assassinados no bairro de Mazzé, oeste da capital, indicou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Outros sete foram executados em Barzé (noroeste). O OSDH descreveu vítimas que tiveram as cabeças esmagadas por veículos, corpos perfurados por baionetas e mãos algemadas.

A agência oficial Sana anunciou que o Exército está em Mazzé para “restabelecer a segurança (…) limpando esta área de grupos terroristas armados que aterrorizam os habitantes e atacam suas casas”.

Nesta segunda-feira o OSDH contabilizou mais 18 mortos até o início da tarde.

Damasco, apesar das acusações ocidentais, indicou que suas armas químicas e não-convencionais estão “armazenadas em um lugar seguro sob a supervisão das Forças Armadas e só serão utilizadas caso a Síria enfrente uma agressão estrangeira”.

Já o porta-voz do Ministério sírio das Relações Exteriores, Jihad Makdessi, assegurou que as armas “nunca, nunca serão utilizadas contra nossos cidadãos, seja qual for a evolução da crise”.

O regime acusa os ocidentais de desinformação para justificar “uma intervenção militar, mentindo sobre armas de destruição em massa”.

Os Estados Unidos advertiram Damasco que consideram o regime de Bashar al-Assad responsável por manter em segurança suas armas químicas e que o regime não deveria nem pensar nesta possibilidade.

“Eles não deveriam nem pensar em usar armas químicas”, disse o porta-voz do Pentágono, George Little, à imprensa.

“Temos sido enfáticos em nossa posição dentro do governo americano sobre o uso de armas químicas, o que seria totalmente inaceitável”, afirmou.

Israel também manifestou a sua preocupação e alertou que não aceitará que armas químicas caiam nas mãos do partido xiita Hezbollah.

Após o anúncio da “libertação de Damasco”, na semana passada, e da batalha de Aleppo no domingo, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão de oposição síria, pediu aos rebeldes que aumentem seus esforços.

O regime “vacila”, mas “não se renderá facilmente”, afirmou o porta-voz do CNS, George Sabra, em um comunicado.

“O que acontece em Damasco, Aleppo e em outras cidades sírias é uma etapa crucial para estabelecer uma nova fase na história de nosso país, e também da região”, acrescentou o opositor.

Nesta segunda-feira, uma coluna de fumaça cobriu o céu sobre Mazzé, onde os confrontos duraram parte da noite, segundo um jornalista da AFP.

Paralelamente, o regime mobilizou novas unidades nos bairros de Barzé, Lawane, Nahr Aiche e Mazzé.

Os soldados “controlam as grandes estradas e bairros onde entraram, mas ainda há confrontos das pequenas ruas”, segundo o OSDH.

Após o anúncio da libertação de Aleppo, intensos combates foram travados na capital econômica do país, particularmente nos bairros de Sahour (leste) e Hanano City (leste).

Os rebeldes tomaram o controle do distrito de Salahuddin, no oeste da cidade.

“Há um grande êxodo em Hanano City, al-Haïdariyé e Sakhour”, indicou o OSDH.

O coronel Kassem Saadeddine, porta-voz do Exército Sírio Livre (ESL) no interior do país, disse à AFP que o Exército havia posicionado 60 tanques na estrada entre Homs (centro), cidade-símbolo da contestação, e Hama, para desalojar os rebeldes.

Ainda assim, os rebeldes ainda controlam um posto na fronteira com o Iraque, e três postos na divisa com a Turquia.

Os ocidentais devem reforçar a ajuda humanitária aos refugiados. Washington desbloqueou 100 milhões de dólares para a Jordânia, que acolhe dezenas de milhares de sírios, enquanto os europeus duplicaram a ajuda de emergência para 63 milhões de euros.