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Dalai Lama cogita sucessora “muito atraente” e retorno ao Tibete

Líder espiritual repete declaração criticada em 2015

Por Da Redação - 8 abr 2017, 16h28

Em visita ao estado de Arunachal Pradesh, no nordeste da Índia, o Dalai Lama voltou a afirmar neste sábado que seu sucessor poderia ser uma mulher e disse que retornará ao Tibete se receber um “sinal adequado” por parte do governo chinês.

“A possibilidade de uma dalai lama mulher é muito alta para os anos vindouros”, disse o líder budista. Repetindo declaração criticada em 2015, acrescentou, em tom de brincadeira, que esta deve ser “muito atraente”. Dois anos atrás, o Dalai Lama, que já se disse um feminista, afirmou que “não seria de muito uso” uma sucessora mulher que não fosse “atraente”. Perguntado se estava brincado, respondeu: “É verdade”.

Neste sábado, o líder religioso mostrou-se convencido de que reencarnará após morrer, mas “ninguém sabe” quando isso ocorrerá, e insistiu que a China não pode decidir quem será seu sucessor, como pretende, pois isso seria uma “completa bobagem”. Quanto a seu possível retorno ao Tibete, ele não descarta a ideia, se houver uma mudança na atitude do governo chinês.

“Acredito que mais de 90% do Tibete quer que eu volte, muitos estão me esperando. Inclusive milhões de chineses budistas me querem de volta. Mas só voltarei quando houver um sinal positivo do governo chinês”, afirmou.

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No segundo dia de sua visita à cidade de Tawang, próxima da fronteira com o Tibete e por onde entrou na Índia em sua fuga das tropas chinesas em 1959, o Dalai Lama defendeu que a oposição de Pequim a sua viagem à região responde a uma “politização” dos fatos. Esta é a quinta vez que o líder religioso comparece à região disputada do Himalaia, que visitou pela última vez em 2009, uma viagem cujo objetivo é ministrar doutrinas espirituais.

A soberania de Arunachal Pradesh é reivindicada por Índia e China desde a criação do Estado indiano e foi o motivo de um breve confronto entre os dois países em 1962. Nova Délhi e Pequim mantêm rodadas regulares de contatos para abordar os temas e reivindicações pendentes em sua agenda bilateral a fim de aliviar as tensões, mas são frequentes as acusações mútuas de incursões militares na região fronteiriça.

Enquanto a Índia controla Arunachal Pradesh, província da qual a China reivindica 80 000 quilômetros quadrados, o regime comunista administra Aksai Chin, outra área disputada por ambos, na fronteira ocidental dos dois países e parte da histórica região da Caxemira.

(com EFE)

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