Da prisão, Maduro se manifesta sobre início de diálogo entre Delcy e oposição venezuelana
Primeira reunião presencial entre as partes está marcada para a próxima semana, em Caracas
Sete meses após ser capturado em Caracas e levado para uma prisão nos Estados Unidos, o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, manifestou apoio no domingo, 2, ao início das negociações entre representantes do governo interino de Delcy Rodríguez e da oposição apoiada por Washington. A primeira reunião presencial entre as partes está marcada para a próxima semana, em Caracas.
Em uma mensagem publicada em sua conta no Telegram, Maduro falou em um “renascimento nacional” baseado no respeito à diversidade e na inclusão.
“Falar de um RENASCIMENTO NACIONAL como meta comum é falar de respeito mútuo na diversidade, de inclusão de todos e todas (…) Saudamos todo caminho de diálogo que ajude a consolidar a paz, a convivência e o reencontro entre os venezuelanos”, diz a mensagem do ex-líder venezuelano.
As negociações ocorrem em meio à pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a deposição de Maduro e estreitou os laços com Washington, que controla efetivamente as exportações do petróleo venezuelano. O governo americano defende que o diálogo abra caminho para a realização de eleições na Venezuela.
O encontro previsto para a próxima semana será a primeira rodada presencial de diálogo entre representantes do governo interino e um grupo de opositores desde a queda de Maduro. As discussões terão como foco a assistência às vítimas do duplo terremoto que devastou o país em 24 de junho, o fortalecimento da democracia e as garantias e direitos políticos.
“Façamos de agosto um mês de conquistas extraordinárias, solidariedade comprometida, diálogo sincero e renascimento espiritual para a Venezuela”, conclui o texto de Maduro.
A principal líder da oposição, María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, não participará das negociações, embora tenha afirmado que não pretende impedir o avanço do processo.
Captura e acusações
Maduro, 63 anos, e sua esposa, Cilia Flores, estão detidos em uma prisão no Brooklyn desde a operação militar dos Estados Unidos e aguardam julgamento por tráfico de drogas e outras acusações. No total, são quatro: conspiração para cometer “narcoterrorismo”, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos explosivos.
O julgamento do casal está marcado para começar em 1º de junho de 2027, segundo decisão de um tribunal federal de Nova York anunciada no fim de julho. Desde sua primeira audiência na Justiça americana, Maduro sustenta que foi “sequestrado” e afirma ser um “prisioneiro de guerra”.
As forças militares americanas capturaram o casal em Caracas em 3 de janeiro, em uma rápida operação que combinou forças navais, aéreas e terrestres para depor o homem que governava a Venezuela desde 2013.







