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D.Humanos da ONU impõem nova condenação à Síria e pedem acesso humanitário

Por Da Redação 1 mar 2012, 09h46

Isabel Saco.

Genebra, 1 mar (EFE).- O regime sírio recebeu nesta quinta-feira uma nova condenação da comunidade internacional pelas atrocidades perpetradas contra a população em sua tentativa de achatar a rebelião, com a aprovação no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU de uma resolução reivindicando acesso humanitário ao país.

Este chamado ocorre ao mesmo tempo em que as forças militares sob ordens do regime de Bashar al Assad estão desdobradas nos arredores da cidade de Homs, à espera do momento mais propício para empreender uma ofensiva terrestre.

Homs, e particularmente alguns de seus bairros onde o regime acredita que se escondem os combatentes, suporta há semanas ataques de artilharia, enquanto a população está isolada, sem o fornecimento dos bens essenciais, incluindo alimentos.

A resolução desta quinta-feira – iniciativa da Turquia e do Catar – quer demonstrar a urgência da permissão de acesso às organizações humanitárias e às Nações Unidas para atender os civis que são vítimas dos ataques, diante do fracasso das negociações que nos últimos dias manteve a Cruz Vermelha Internacional com as partes do conflito.

Após a retirada de 20 feridos na sexta-feira, nenhuma outra vítima pôde ser resgatada para receber atendimento médico.

No plano político, o texto adotado pelo CDH representa um degrau adicional na vontade internacional para que não fiquem impunes as violações dos direitos humanos na Síria, caracterizados por crimes contra a humanidade, segundo a informação da ONU.

Nesse sentido, ressalta a importância de garantir que os responsáveis serão levados à Justiça e castigados por seus atos, coincidindo com os pedidos que o caso sírio seja levado ao Tribunal Penal Internacional.

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Ao tomar a palavra no plenário, um porta-voz da ONG Instituto de Direitos Humanos do Cairo descreveu o sentir de muitos na sala a respeito da impunidade: ‘os que ordenaram atos tão brutais se sentem desafiantes ao acreditar que nunca serão julgados’.

No entanto, a China, mais principalmente a Rússia, defenderam também neste fórum ao regime de Damasco e insistiram em vários discursos que a resolução constituía uma tentativa encoberta de legitimar uma eventual intervenção militar estrangeira na Síria.

Ambos os países, seguidos por Cuba, votaram contra o texto, que foi aprovado com o voto de 37 países, enquanto três se abstiveram.

O diplomata russo Vladimir Zheglov criticou em nome de seu Governo o ‘enfoque politizado e parcial contra a Síria’ e advertiu que sua aprovação ‘atenta contra a missão encomendada pela Liga Árabe e a ONU ao seu ex-secretário-geral, Kofi Annan, quem é agora interlocutora diante do regime sírio em representação da comunidade internacional.

China simplesmente aderiu à declaração da Rússia, enquanto Cuba reiterou que está preocupada ‘com a morte de inocentes em qualquer parte do mundo’, mas assinalou que atribuí-las de maneira ‘seletiva’ ao regime de Damasco ‘propicia a intervenção estrangeira’.

Já a delegação equatoriana condenou as violações dos direitos humanos na Síria, mas se declarou partidária de uma ‘saída humanitária, negociada e, principalmente, soberana’.

Sustentou que o conteúdo da resolução carecia de objetividade e equilíbrio, com o que justificou sua abstenção no momento da votação.

Mesmo apoiando a aprovação do documento, alguns países lamentaram o fato da condenação não ser também aos opositores, mas deixaram claro que não querem comparar as agressões de reação às atrocidades cometidas pelas forças de segurança que operam sob as ordens da cúpula do Governo. EFE

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