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Curdos e jihadistas se enfrentam no norte do Iraque

Extremistas sunitas avançam rapidamente e estão próximos da capital regional Erbil. O Curdistão é a região iraquiana mais próspera e estável do país

Por Da Redação 6 ago 2014, 10h13

Forças curdas atacaram jihadistas sunitas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) nesta quarta-feira a apenas 40 quilômetros ao sudoeste da capital regional curda de Erbil, no norte do Iraque. O ataque acontece após militantes do EIIL terem imposto uma humilhante derrota aos curdos no domingo, com um rápido avanço contra três de suas cidades, levando o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki, a ordenar que a força aérea do país apoiasse pela primeira vez as forças curdas.

“Nós mudamos nossas táticas, de defesa para o ataque. Agora estamos em confronto com o EIIL em Makhmur”, disse Jabbar Yawar, secretário-geral do ministério curdo responsável pelos soldados da região, os chamados combatentes ‘peshmerga’. Yawar disse que os curdos haviam restabelecido a cooperação militar com Bagdá. Os laços entre os dois lados, a liderança curda e o governo liderado por xiitas, do primeiro-ministro Maliki, estavam abalados por conta de impasses envolvendo petróleo, orçamentos e território.

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Mas a ofensiva jihadista no fim de semana – que tomou mais cidades, um quinto campo de petróleo e a maior represa do Iraque – levaram iraquianos e curdos a deixar as diferenças de lado. “O ministério dos peshmerga enviou uma mensagem para o Ministério da Defesa iraquiano requisitando uma reunião urgente sobre cooperação militar. Os comitês conjuntos foram reativados”, disse Yawar.

O EIIL, que declarou um califado em um território que se estende do Iraque até a Síria, e que também ameaça marchar contra Bagdá, representa a maior ameaça para o Iraque desde a invasão liderada pelos EUA para derrubar Saddam Hussein, em 2003. Os combatentes sunitas e seus aliados consideram a maioria xiita do Iraque infiel e por isso deve ser morta.

O que é um califado?

É um Estado islâmico governado por um único líder político e religioso, o Califa.

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Califas são considerados por seus seguidores como sucessores de Maomé e soberanos sobre todos os muçulmanos.

O primeiro califado surgiu depois da morte do profeta Maomé, no ano de 632.

Nos séculos que se seguiram, foram criados outros califados no Oriente Médio e no Norte da África.

O último califado foi abolido em 1924 pelo líder turco Kemal Ataturk, criador do Estado moderno turco, depois do colapso do Império Otomano.

No final de semana, os jihadistas tomaram a cidade de Sinjar, no norte do Iraque, lar de muitos membros da minoria yazidi. Os yazidis são de etnia curda e seguem uma antiga religião pré-islâmica. Por causa de duas crenças, eles correm o risco de ser executados e são considerados pelos militantes sunitas como “adoradores do demônio”. Yawar disse que cerca de 50.000 yazidis estão escondidos em uma montanha, com o risco de morrer de fome se não forem resgatados em 24 horas.

Saiba mais

Curdistão, um ‘oásis’ em meio ao caos

Curdistão – O Curdistão é uma região autônoma no norte do Iraque. Os curdos tem um Parlamento próprio, mas seu governo é subordinado ao Executivo de Bagdá. A região é a mais próspera e estável de todo o Iraque. No final de junho, o Parlamento do Iraque elegeu o curdo Fouad Massoum como o novo presidente iraquiano. Massoum, um ex-guerrilheiro, de 76 anos, é um político veterano que presidiu o Parlamento durante o governo de transição instalado depois da queda de Saddam Hussein e ajudou a reescrever a Constituição do país.

O curdo Massoum e o sunita Salim al-Jubouri, recém empossado presidente do Parlamento, são as apostas dos iraquianos para resolver a grave crise sectária entre sunitas e xiitas. A aliança de partidos xiitas do atual premiê Maliki saiu vitoriosa nas eleições parlamentares realizadas em abril deste ano, mas não conseguiu formar um governo de coalizão diante das profundas divisões do país.

(Com agência Reuters)

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