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Cuba: Fariñas é preso com outros 21 dissidentes

Segundo familiares dos opositores, prisão ocorreu quando o grupo se reunia para discutir conteúdo do documento 'Demanda cidadã por outra Cuba'

Por Da Redação 4 out 2012, 18h42

O dissidente cubano Guillermo Fariñas foi detido novamente nesta quinta-feira em Cuba, junto com outros 21 opositores ao regime cubano do ditador Raúl Castro, ao tentar organizar uma reunião politica na cidade de Santa Clara, informaram familiares dos presos.

Segundo a mãe de Fariñas, Alicia Hernández, seu filho foi detido por policiais quando caminhava até a sede do grupo Damas de Branco, onde a reunião seria realizada. A associação foi criada em 2003 por mulheres e parentes de 75 dissidentes presos naquele ano, um episódio que ficou conhecido como “Primavera Negra”.

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Na reunião, segundo o opositor Ramón Jiménez, seria discutido o documento Demanda cidadã por outra Cuba, que pede que o governo adote medidas previstas pela Organização das Nações Unidas para garantir o respeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão no país.

A Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, um órgão ilegal, mas tolerado pelo governo, divulgou que no mês de setembro foram registradas 533 detenções na ilha por motivos políticos, o maior número dos últimos seis meses, segundo o grupo opositor.

Os dissidentes são considerados pelo governo de Havana como “contrarevolucionários” e “mercenários” a serviço dos Estados Unidos.

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Fariñas já foi preso várias vezes por lutar pelos direitos dos cidadãos cubanos. A mais recente detenção de Fariñas, um psicólogo de 50 anos que já fez inúmeras greves de fome contra o regime, ocorreu no dia 23 de agosto, depois de uma discussão com agentes policiais. Ele foi solto dois dias depois.

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Biografia – Psicólogo e jornalista, Fariñas recebeu do Parlamento Europeu, em dezembro de 2010, o Prêmio Shakarov de liberdade de pensamento. A homenagem foi feita depois de o dissidente manter uma greve de fome de mais de quatro meses, entre fevereiro e julho do mesmo ano para exigir a libertação de presos políticos. O protesto começou um dia depois da morte de Orlando Zapata Tamayo, em 23 de fevereiro de 2010. Fariñas só suspendeu seu protesto 135 dias depois, quando o governo de Raúl Castro autorizou a libertação de 52 presos políticos.

(Com Agência France-Presse e EFE)

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