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Cuba desponta como exemplo no combate à pandemia de Covid-19

Políticas de contenção tomadas pelo regime autoritário da ilha são elogiadas por críticos independentes, como ONGs e acadêmicos estrangeiros

Por Da Redação Atualizado em 19 nov 2020, 19h38 - Publicado em 19 nov 2020, 19h29

Em meio ao aumento de casos de Covid-19 na Europa, quebras de recordes de novos casos diários no Japão, e o registro de 1 milhão de novas contaminações em sete dias apenas nos Estados Unidos, a pequena ilha de Cuba, com cerca de 11 milhões de habitantes, desponta como um modelo no combate à pandemia, chegando até mesmo a reabrir suas portas ao turismo.

Segundo o último relatório semanal da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado na terça-feira 17, a ilha caribenha havia registrado apenas 301 casos de Covid-19 nos sete dias anteriores, equivalente a menos de 3 contaminações por 100.000 habitantes.

Desde o início da pandemia, o país contabilizou 7.568 casos. Quanto às mortes pela doença, foram registradas 131 ao total, sendo apenas uma na última semana.

Embora o balanço da OMS seja contestado tendo em vista que ele se baseia em dados oficiais, que, no caso de Cuba, são reféns do filtro do governo —, entidades independentes têm prestigiado as ações da ilha no combate à Covid-19 há meses.

Em artigo publicado em junho pelo jornal britânico The Guardian, o cientista político William Leogrande, da American University em Washington, é citado afirmando que o sistema de saúde cubano é “perfeitamente adequado para realizar estratégia de contenção” de uma maneira única no hemisfério ocidental.

A reportagem menciona a convocação pelo Estado de dezenas de milhares a médicos, enfermeiras e estudantes de medicina a investigarem casos de Covid-19 em todas as residências na ilha a cada dia. Segundo o Guardian, um médico e seus alunos ficava à época responsável por mais de 300 famílias por dia.

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“Toda a organização do seu sistema de saúde é estar em contato próximo com a população, identificar os problemas de saúde à medida que vão surgindo e atendê-los imediatamente”, desenvolveu Leogrande ao jornal britânico.

Mais recentemente, de acordo com artigo publicado nesta semana pela emissora francesa RFI, a política sanitária cubana foi elogiada por Franco Cavalli, o presidente da Medicuba Europa — uma organização não-governamental sediada na Suíça e cujo objetivo é contribuir com a manutenção do sistema de saúde público cubano.

“Aqui todas as pessoas contaminadas são hospitalizadas e todos aqueles com quem elas estiveram em contato são acompanhadas pelos serviços sanitários”, declarou Cavalli.

Nesse contexto, as autoridades cubanas já iniciaram o processo de reabertura do país aos turistas estrangeiros — o turismo representou 10% do PIB cubano em 2019, segundo a empresa de consultoria de dados americana Knoema.

O aeroporto de Havana, que estava fechado desde o final de março, voltou a receber voos comerciais no final de semana. Outros cinco aeroportos internacionais já operam desde meados de outubro.

Todos os viajantes devem ter suas temperaturas medidas no aeroporto, assim como realizar um teste para a Covid-19. Enquanto esperam o resultado do teste, em um intervalo de cerca de 24 horas, os turistas tem seu movimento restrito. Eles ainda devem fazer um segundo teste cinco dias após sua chegada.

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