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Cristina reaparece e ataca juiz que ordenou investigação de uma das suas empresas

Presidente da Argentina havia ficado afastada do cargo por três semanas

Por Da Redação 26 nov 2014, 08h17

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, retornou nesta terça-feira à cena pública após três semanas de repouso por causa de um problema de saúde e assegurou que não se deixará “extorquir” pela Justiça. Na semana passada, um tribunal ordenou uma operação de busca e apreensão na sede oficial de uma das empresas da família da presidente por suspeita de irregularidades.

“A esta presidenta nenhum abutre financeiro nem nenhum carancho (espécie de urubu) judicial vai extorquir”, disse Cristina durante um evento da Câmara Argentina da Construção.

Em sua conta no Twitter a presidente foi mais agressiva e atacou especificamente o juiz Claudio Bonadio, que ordenou a operação de busca. A Justiça começou a investigar a Hotesur após a imprensa local e uma deputada da oposição denunciarem que a empresa não entregou nenhum balanço patrimonial desde 2011. Também foi apontado que o local em que estava registrada a empresa, em Buenos Aires, estava vazio há anos.

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Cristina escreveu na rede social que ela não é a única pessoa na mesma situação e disse que uma empresa que tem o próprio Bonadio como acionista, chamada Mansue S/A, também está devendo os balanços de 2012 e 2013.

“Igualzinho à Hotesur. Algum deputado ou deputada vai denunciar? Algum juiz vai assumir? O que vai dizer a imprensa independente?”, disse a presidente.

A Hotesur é responsável por administrar um hotel de propriedade da família Kirchner, o Alto Calafate, que fica na província de Santa Cruz, berço político de Cristina e de seu falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. Há anos a imprensa argentina denuncia suspeitas sobre o funcionamento do luxuoso Alto Calafate, cujo investimento não parece se justificar e que registra faturamento acima da média mesmo em épocas de baixa temporada. A família Kirchner possui outros dois hotéis na região – e está construindo mais um. A deputada Margarita Stolbizer levantou na semana passada a acusação de que o local pode estar sendo usado para lavar dinheiro.

Em resposta às denúncias, o secretário de Justiça da Argentina, Julián Alvarez, determinou que a Hotesur pague uma multa de meros 3.000 pesos (cerca de 900 reais) por causa de problemas envolvendo documentação. A multa praticamente equivale a uma diária no hotel de luxo.

Alvarez também atenuou as irregularidades apontadas, afirmando que elas são “mais leves do que furar um sinal vermelho”. O jornal Clarín, em matéria publicada nesta quarta-feira, discordou e afirmou que o procedimento para esse tipo de irregularidade deveria ter provocado uma reação maior da Inspección General de Justicia (IGJ), órgão responsável pelo registro de empresas na região da capital argentina.

Segundo o jornal, a IGJ deveria ter emitido um “Alerta de Operação Suspeita” para a chamada Unidad de Información Financiera (UIF), um órgão federal que investiga casos de lavagem de dinheiro. Nada disso foi feito.

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