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Cristãos de Gaza reclamam de restrições de Israel para ir a Belém no Natal

Grande parte dos católicos da Faixa de Gaza passam o Natal separados de suas famílias e reclamam das restrições impostas pelo governo de Israel

Por EFE - 25 dez 2019, 17h50

Sem receber autorização para celebrar o Natal em Belém, o berço do cristianismo, e em Jerusalém, grande parte dos católicos da Faixa de Gaza passam nesta quarta-feira, 25, o Natal separados de suas famílias e reclamam das restrições impostas pelo governo de Israel.

“A atmosfera festiva é incompleta porque não tive permissão para viajar a Belém”, lamentou em entrevista à Agência Efe Samah Hilal, em frente a uma das poucas igrejas construídas em Gaza.

Amal Michael, de 50 anos, também não conseguiu autorização para viajar a Belém, onde vivem seus filhos e neto. Ela não vê a família há três anos. “É muito difícil e muito triste. Natal sem a família unida não é Natal”, afirmou.

Um alento para as duas é que os muçulmanos que vivem em Gaza festejam o Natal junto com os cristãos. Para Samah, essa união entre integrantes de duas religiões deixa o clima “lindo” no período.

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“Oferecemos chocolate e biscoitos aos nossos convidados, visitamos parentes e amigos, vamos à igreja”, disse a católica.

Outra família privada de participar da grande celebração organizada em Belém, para onde cristãos de todo o mundo viajam para visitar a Igreja de Natal, é a de Siham Ayad.

Ela, que vive com o marido em Tulkarem, na Cisjordânia ocupada, e veio visitar o filho Rami em Gaza, explicou que apenas Zain, seu neto de 3 anos, obteve permissão do governo de Israel para viajar até Belém.

“É irracional, sem lógica. Como uma criança de 3 anos pode ir sozinha a Belém?”, disse Siham, que montou uma árvore de Natal na casa do filho.

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Pai de Zain, Rami trabalha em uma igreja de Gaza e também disse ter ficado irritado com a proibição de Israel. “A presença da ocupação (israelense) tem contribuído para diminuir os direitos dos cidadãos, que não podem viver com dignidade”, disse ele.

Depois de muita reclamação das lideranças católicas na Terra Santa, o Cogat, instituição militar de Israel responsável pela ocupação, informou que, no início desta semana, daria permissões de entrada para cidadãos de Gaza que desejam visitar Jerusalém e a Cisjordânia. O processo, porém, dependeria das “avaliações de segurança” feitas pelo órgão.

Dos 600 pedidos recebidos, só 55 foram aprovados, informou o porta-voz da Igreja Ortodoxa em Ganza, Kamel Ayad. “Todos os anos, 500 cristãos vão a Jerusalém e à Cisjordânia para as festividades do Natal”, explicou.

O número de cristãos em Gaza tem caído desde 2007, quando o movimento islamita Hamas tomou o controle da faixa e Israel impôs um bloqueio sobre a região. De lá pra cá, eles eram 5 mil e passaram a ser cerca de mil.

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