Crise paraguaia é novo contratempo para Cúpula Ibero-Americana

Por Da Redação - 1 jul 2012, 09h08

Madri, 1 jul (EFE).- A destituição de Fernando Lugo como presidente do Paraguai após um ‘julgamento político’ se transformou em um novo contratempo para o governo espanhol no que diz respeito à organização da Cúpula Ibero-Americana, que será realizada em Cádiz (Espanha) em novembro próximo.

O governo – desde os secretários de Estado até o presidente do Executivo, Mariano Rajoy – e a Casa Real espanhola – desde o príncipe Felipe até o rei Juan Carlos – multiplicaram suas visitas aos países latino-americanos para garantir uma elevada participação na reunião, cientes de que o nível de presença é, para muitos, o termômetro do êxito das cúpulas.

As viagens, até agora, deram frutos e mais da metade dos 22 chefes de Estado e de governo da comunidade ibero-americana disse que estará em Cádiz para o evento, o que afastaria o fantasma da cúpula anterior, realizada justamente em Assunção e esvaziada devido à ausência de muitos – apenas 11 líderes participaram.

Mas o trabalho diplomático para aplanar o caminho rumo à reunião de novembro não está isento de sobressaltos, e a crise política paraguaia se somou ao conflito com a Argentina pela nacionalização da YPF, que antes era controlada pela espanhola Repsol.

Publicidade

Enquanto a maioria dos países do continente americano questiona a legitimidade do novo governo paraguaio liderado por Federico Franco, o Executivo de Rajoy prefere não se precipitar e aposta em pactuar posturas com a União Europeia (UE) e os organismos regionais latino-americanos.

Fontes diplomáticas consultadas pela Agência Efe não acreditam que a crise política paraguaia acabe prejudicando a cúpula de Cádiz e lembram que ainda faltam muitos meses para a reunião.

Em público, o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, se mostrou convencido de que a maioria dos líderes da região viajará para Cádiz, inclusive os do Paraguai, Argentina, Venezuela e Cuba.

O governo argentino de Cristina Kirchner, com quem Mariano Rajoy quase não trocou palavras na Cúpula do G20 realizada há dez dias no México, reconheceu que já recebeu o convite, mas não disse o que fará em novembro.

Publicidade

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que não participou da cúpula anterior por motivos de saúde, também não falou se participará do evento. Permanece a incógnita sobre a presença do cubano Raúl Castro, já que, desde que substituiu seu irmão Fidel em 2006, não compareceu a nenhuma dessas cúpulas.

Até o momento, confirmaram presença os presidentes do Brasil, México, Colômbia, Chile, Peru, Equador, Uruguai, Nicarágua, El Salvador, Costa Rica e Panamá (organizador da próxima cúpula).

O presidente boliviano, Evo Morales, também comunicou ao governo espanhol que viajará a Cádiz, superadas as tensões bilaterais decorrentes da nacionalização de uma filial de Red Eléctrica da Espanha (REE) no país andino.

Pela primeira vez, além disso, participará de uma Cúpula Ibero-Americana o presidente de Honduras, Porfirio Lobo, cujo país sofreu uma profunda crise política em 2009, que também contaminou a reunião realizada neste ano em Estoril (Portugal).

Publicidade

Alguns líderes latino-americanos já deram mostras de cansaço sobre o excesso de reuniões na região. Por isso, Cádiz pode ser o fórum para se decidir que as cúpulas ibero-americanas se transformem em bienais.

Em recente entrevista à Efe, o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, retomou esta velha proposta que permitiria, em sua opinião, preparar melhor as reuniões para revitalizá-las como fórum de debate e acordo. EFE

Publicidade