Crise migratória na Espanha serve de alerta para os EUA, diz Trump
Quase 60 mil imigrantes, sendo a maioria jovens marroquinos, atravessaram a fronteira entre o Marrocos e a Espanha nas últimas 24 horas
Em meio ao endurecimento de políticas federais e da atuação do ICE, a temida polícia imigratória americana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 31, que a chegada de milhares de imigrantes do Marrocos à cidade espanhola de Ceuta serve como um alerta para os EUA.
“É terrível. Lembrem-se dessas imagens. Estaremos assim em três anos se o lado errado vencer”, declarou Trump, em alusão às próximas eleições presidenciais americanas, segundo uma jornalista da Fox News que conversou com o mandatário.
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O fechamento da fronteira sul dos Estados Unidos à imigração irregular é apresentado como um triunfo da Casa Branca. Trump orgulha-se de ter reduzido praticamente a zero a entrada de migrantes não autorizados no país.
A fala do presidente americano também tem como pano de fundo um embate recente com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que se opôs firmemente ao uso de bases americanas em território espanhol para ataques contra o Irã. Na época, Trump chegou a afirmar que poderia cortar laços por completo com o país europeu.
Crise imigratória
Quase 60 mil imigrantes, sendo a maioria jovens marroquinos, atravessaram a fronteira entre o Marrocos e a Espanha nas últimas 24 horas, em um novo episódio da crise migratória que pressiona a cidade costeira.
Imagens registradas pela agência espanhola Atlas News mostram uma multidão de jovens atravessando o mar de diferentes formas: nadando, flutuando em boias ou sendo transportados por embarcações de resgate. Alguns foram vistos gritando “Viva a Espanha” após a travessia, enquanto agentes da Guarda Civil distribuíam água e auxiliavam os recém-chegados.
A situação agrava uma crise migratória que já vinha se intensificando este mês. Antes da chegada em massa desta quinta-feira, mais de 1,5 mil migrantes já haviam alcançado Ceuta na semana passada, segundo autoridades locais. O centro de acolhimento de imigrantes da cidade opera acima da capacidade e, na quarta-feira, mais de 400 pessoas já aguardavam uma vaga.
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O Ministério do Interior da Espanha declarou que grupos criminosos teriam usado uma recente decisão do Supremo Tribunal para estimular a tentativa de entrada no território espanhol. A sentença determinou que pessoas que chegam ao país pelo mar de forma irregular não podem ser devolvidas imediatamente a outro Estado.
Diante da crise, o governo da Espanha enviou militares para apoiar a Guarda Civil e reforçou o efetivo policial responsável pela segurança de Ceuta. As autoridades também destacaram que haviam concordado com Rabat em tomar medidas para devolver “o mais rápido possível” para Marrocos “todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta”.
“Estamos em uma situação de absoluta emergência humanitária e social”, alertou o prefeito-presidente de Ceuta, Juan Vivas, à televisão pública espanhola TVE.
Localizada na costa norte da África, em frente ao Estreito de Gibraltar, Ceuta, juntamente com Melilla, constitui a única fronteira terrestre entre a União Europeia e o continente africano. As duas cidades autônomas espanholas registram com frequência ondas de tentativas de travessia de migrantes que buscam entrar na Europa.







