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Crise com Afeganistão ameaça plano estratégico dos EUA

Protestos contra a queima do Corão podem desencadear crise diplomática

Por Da Redação 5 mar 2012, 09h16

Os Estados Unidos levantaram nesta segunda-feira a possibilidade de que pode não haver um acordo estratégico de longo termo com o Afeganistão após a retirada das tropas americanas do país asiático, em 2014, por causa do aumento da tensão entre os dois países. Os problemas tiveram início com a queima do Corão por soldados americanos, informou a rede CNN. Nesta segunda, o embaixador americano Ryan Crocker deve se encontrar com o presidente afegão Hamid Karzai para discutir um possível acordo.

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“Nós sempre dissemos que é mais importante alcançar o acordo certo do que um acordo”, disse através de um comunicado o porta-voz da embaixada americana em Cabul, Gavin Sundwall. Foi a primeira vez que os EUA questionaram a possibilidade de chegar a um consenso. As duas partes tentam negociar um Acordo de Parceria Estratégica (SPA, sigla em inglês) para que os EUA continuem providenciando apoio ao Afeganistão após a retirada total das tropas americanas, prevista para 2014, visando a estabilidade do país.

Há o receio de que aconteça no Afeganistão o mesmo que aconteceu no Iraque, quando o presidente Barack Obama anunciou uma retirada precipitada das tropas no país depois que as autoridades iraquianas se recusaram a dar imunidade legal aos soldados americanos. A crise entre Afeganistão e EUA atingiu seu ápice depois que cinco soldados americanos queimaram exemplares do livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, em fevereiro. Obama chegou a pedir desculpas pelo incidente, mas violentos protestos eclodiram ao longo do país, matando dezenas de pessoas, inclusive quatro soldados americanos.

Plano – Na semana passada, contudo, Obama afirmou que o prazo para a retirada das tropas americanas do Afeganistão continua o mesmo, apesar da escalada de violência. “Tenho confiança de que seguiremos por um caminho que no final de 2014 trará nossas tropas de volta (…) e que os afegãos terão a capacidade, do mesmo modo que os iraquianos, de dar segurança ao seu próprio país”, disse Obama à rede de televisão ABC News.

No mês passado, o jornal The Washington Post afirmou que os Estados Unidos planejam manter uma “substancial presença clandestina” no Iraque e no Afeganistão por muito tempo, mesmo depois da saída de suas tropas convencionais dos dois países.

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