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Crise climática forçará deslocamento de 1,2 bilhão de pessoas até 2050

Movimentos migratórios serão provocados por escassez de alimentos e água, somado a desastres relacionados ao clima, afirma instituto em novo relatório

Por Amanda Péchy 9 set 2020, 17h49

O Institute for Economics and Peace (IEP), um think tank que produz índices anuais de terrorismo global e paz, disse nesta quarta-feira, 9, que 1,2 bilhão de pessoas podem ser forçadas a se deslocar, seja dentro do próprio país ou para outras nações, até 2050 devido à crise climática. Segundo um novo relatório do instituto, pelo menos 31 países não têm resiliência suficiente para resistir às ameaças ecológicas, intensificadas pelo rápido crescimento populacional.

Embora aumentos populacionais tenham diminuído de seu auge na década de 1960, nações como Nigéria, Angola, Burkina Faso e Uganda devem experimentar crescimentos significativos, levando a novos deslocamentos em massa.

Além disso, mais de 60% dos países que enfrentam ameaças ecológicas – como escassez de água e alimentos e maior exposição a desastres naturais – também estão entre os menos pacíficos do mundo, constatou o estudo do IEP. Ou seja, movimentos migratórios podem ser ainda mais intensificados pela instabilidade social.

“As ameaças ecológicas e as mudanças climáticas representam sérios desafios ao desenvolvimento e à paz global”, diz o relatório. “Os impactos adversos afetarão desproporcionalmente os mais pobres e vulneráveis ​​do mundo e criarão pressões sobre os países vizinhos por meio de movimentos em massa de pessoas.”

Segundo o texto, as inundações são o desastre natural mais comum, representando 42% desses incidentes desde o ano 1990. A próxima categoria, as tempestades – que incluem ciclones, furacões, tornados, nevascas e tempestades de areia – representaram 30% do total de incidentes.

Dos 157 países analisados, o Brasil foi o 12º país mais afetado por desastres naturais, segundo a pesquisa – a maioria, enchentes. Também consta em 11º lugar entre os países com mais pessoas deslocadas à força por desastres, com 295.000, na frente de Sudão, Mianmar e Uganda.

Além disso, a demanda por água deve atingir níveis críticos nas próximas décadas, com mais de um terço dos países analisados pelo IEP em estresse hídrico alto ou extremo até 2040 – quando 40% ou mais da água disponível é usada.

O consumo de água aumentou 1% ao ano nas últimas quatro décadas e a expectativa é que cresça ainda mais. Em 2019, quatro bilhões de pessoas passaram por uma escassez de água grave por pelo menos um mês e o mundo tem 60% menos água doce disponível do que há 50 anos.

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A demanda por alimentos também deve aumentar em 50% até 2050 e os desastres naturais só devem tornar-se mais frequentes por causa da crise climática, o que significa até mesmo alguns países estáveis podem ficar vulneráveis.

“Construir resiliência às ameaças ecológicas se tornará cada vez mais importante e exigirá investimentos substanciais hoje”, afirma o instituto.

O estudo usa dados das Nações Unidas e de outras fontes para avaliar a exposição a oito ameaças ecológicas e, em seguida, avalia a capacidade de resistência de cada região. Dos 157 países analisados, 141 enfrentarão ao menos uma ameaça ecológica até 2050 – a África Subsaariana, Sul da Ásia, Oriente Médio e Norte da África são as regiões que concentram o maior número de ameaças.

Alguns países, como Índia e China, são os mais afetados pela escassez de água, enquanto outros como Paquistão, Irã, Quênia, Moçambique e Madagascar enfrentam uma combinação de ameaças e uma crescente incapacidade de lidar com elas.

  • “A falta de resiliência levará ao agravamento da insegurança alimentar e da competição por recursos, aumentando a agitação civil e o deslocamento em massa”, segundo o relatório. O estudo conclui que o Paquistão é o país com o maior número de pessoas em risco de migração em massa, seguido pela Etiópia e Irã.

    Segundo o estudo, nesses países “mesmo pequenas ameaças ecológicas e desastres naturais podem resultar no deslocamento em massa”.

    Regiões mais ricas e desenvolvidas da Europa e da América do Norte enfrentam menos ameaças ecológicas e seriam mais capazes de lidar com elas, mas a maioria “não estará imune a impactos mais amplos”. Apenas 16 países – como Suécia, Noruega, Irlanda e Islândia – não enfrentam perigo.

    Desastres ecológicos provocam o deslocamento em média de 24 milhões de pessoas por ano. Se essa taxa continuar, 1,2 bilhão de pessoas terão se deslocado até 2050 – mas a tendência é de aumento. “O deslocamento da população devido a ameaças ecológicas e mudanças climáticas pode superar a crise de migração europeia de 2015”, conclui o estudo.

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