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Crianças que viveram sob o jugo do EI não são terroristas, diz Unicef

Organismo pede a nações que assumam a responsabilidade pelos filhos de seus cidadãos que aderiram ao Estado Islâmico e a outros grupos extremistas

O diretor do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) para o Oriente Médio e o Norte da África, Geert Cappelaere, afirmou nesta segunda-feira, 11, que as crianças recrutadas por grupos extremistas ou que viveram sob um regime jihadista não devem ser consideradas como “terroristas” pelas nações solicitadas a receberem-nas como residentes.

“As crianças que foram recrutadas pelas forças extremistas ou viveram sob seus regimes não são terroristas”, disse Cappelaere à Agência Efe, à margem do ato de apresentação de um álbum de canções infantis.

O responsável do Unicef disse que essas crianças “têm necessidades de proteção, educação e cuidados de saúde e, sobretudo, que a comunidade internacional invista para assegurar que todos os menores tenham uma infância”.

Para a imprensa, Cappelaere defendeu que as crianças sejam repatriadas por seus países de origem para que “sejam reintegradas nas comunidades de seus países”. “Há alguns países que assumem suas responsabilidades e outros não”, comentou, sem citar nenhum país concretamente.

Cerca de 65 mil pessoas, na maioria crianças e mulheres familiares de combatentes do grupo Estado Islâmico, permanecem no campo de refugiados de Al Hol, no nordeste da Síria, à espera da repatriação por seus países de origem. Al Hol tem acolhido os últimos integrantes do Estado Islâmico e seus familiares. Há pelo menos 500 mulheres e viúvas e filhos de militantes no local.

Vários países, como os Estados Unidos e o Reino Unido, retiraram a nacionalidade de mulheres casadas com combatentes do Estado Islâmico e que colaboraram com o grupo terrorista na Síria. Como uma das exceções, o primeiro-ministro da Irlanda, Taoiseach Leo Varadkar, declarou que a remoção da cidadania de uma mulher suspeita de associação ao estado Islâmico na Síria “não é a coisa certa a se fazer”.

Segundo o jornal The Irish Times, Varadkar referiu-se ao caso de Lisa Smith, que há cinco anos deixou seu posto de comissária de bordo no Corpo Aéreo Irlandês para ir à Síria. Ela e seus dois filhos estão atualmente no campo de refugiados de Al Hol.

Além da situação dos filhos dos jihadistas, Cappelaere pediu às partes envolvidas no conflito sírio o fim da guerra, que começou há oito anos.

Cappelaere disse que, desde 2011, nasceram cinco milhões de crianças sírias, um milhão delas como refugiadas, e que “elas somente conheceram a guerra e suas consequências”. “Portanto, chegou o momento de pôr fim a essa guerra, hoje e não amanhã”, disse o responsável do Unicef.

Para ele, “é importante que a solidariedade internacional persista” e que se mantenha a ajuda a países receptores de refugiados, como Turquia, Líbano, Iraque, Jordânia e Egito.

(Com EFE)