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Covid-19: Trump quer reabrir igrejas como ‘serviços essenciais’

Republicano afirma que os Estados Unidos precisam de religião e novamente comenta a possibilidade de restringir voos vindos do Brasil

Por Da Redação - Atualizado em 22 maio 2020, 19h10 - Publicado em 22 maio 2020, 19h04

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incitou nesta sexta-feira a reabertura de igrejas e demais casas de culto como “serviços essenciais” durante a pandemia do coronavírus. O republicano encorajou líderes religiosos a se imporem contra as determinações dos governadores estaduais que, segundo ele, estão demorando demais para retirar as restrições sobre templos.

“Hoje estou classificando as casas de culto, como igrejas, sinagogas e mesquitas, como estabelecimentos essenciais que prestam serviços essenciais”, disse Trump, durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, que durou apenas alguns minutos. “Alguns governadores consideraram essenciais as lojas de bebidas e as clínicas de aborto, mas deixaram de fora igrejas e outras casas de culto. Não está certo”, completou.

Não está claro se o presidente tem poder para impor a reabertura com sua reclassificação dos locais de culto como serviços essenciais. Trump insiste na permissão desde que afirmou que o país retomaria as atividades a tempo de celebrar a Páscoa, meta que se mostrou insustentável, segundo o jornal americano The New York Times.

O Departamento de Justiça apoiou instituições religiosas diversas vezes contra as restrições de governos locais. O Procurador Geral da República, William Barr, disse que por mais que as emergências permitam “restrições temporárias aos direitos, a Primeira Emenda e a lei estatutária federal proíbem a discriminação contra instituições e crentes religiosos”.

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Além disso, nesta semana, o Departamento de Justiça escreveu uma carta ao governador Gavin Newsom, da Califórnia, contestando sua demora em reabrir instituições religiosas.

Nesta sexta-feira, Trump afirmou que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs), agência federal americana de saúde, emitiram orientações para comunidades de fé sob seu comando. “Nos Estados Unidos, precisamos de mais oração, não de menos”, disse o presidente. Após alguns minutos de coletiva, Trump saiu sem permitir perguntas.

Deborah Birx, médica que coordena a resposta ao coronavírus da Casa Branca, disse que os fiéis deveriam usar medidas de distanciamento social e pediu restrições. “Acho que cada um dos líderes da comunidade religiosa deve entrar em contato com os departamentos de saúde locais para que eles possam se comunicar com seus congregantes”, afirmou Birx.

O gabinete do governador Jay Inslee, de Washington, informou que não entendeu os comentários do presidente e que seu estado não tinha recebido nenhum tipo de orientação formal. Atualmente, Washington permite serviços de drive-in, em que fiéis permanecem em seus veículos, e as igrejas do estado transmitem vídeos das missas.

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“Não acreditamos que o presidente tenha a capacidade de ditar o que os estados devem ou não abrir”, disse David Postman, chefe do gabinete de Inslee. Segundo ele, autoridades estaduais trabalham com um grupo de várias religiões para desenvolver diretrizes de reabertura das casas de culto.

Autoridades de saúde alertam que as reuniões religiosas podem aumentar a transmissão da Covid-19, doença respiratória causada pelo coronavírus. Algumas igrejas que retomaram as atividades após a suspensão de restrições em alguns estados foram forçadas a fechar novamente suas portas depois de descobrirem novas infecções. Foram os casos do Tabernáculo Batista de Catoosa, no estado da Geórgia, e a Igreja Católica do Espírito Santo, em Houston, no estado do Texas.

Voos do Brasil

Donald Trump novamente comentou na entrevista sobre a possibilidade de proibir os voos vindos do Brasil nos Estados Unidos. É a terceira vez que ele afirma cogitar a restrição, devido ao salto no número de casos de coronavírus no Brasil.

“Eu me preocupo com tudo, eu não quero pessoas vindo para cá e infectando nosso povo”, disse o americano na terça-feira 19. No dia seguinte, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pencereforçou a declaração de Trump e disse que Washington observa a situação do Brasil para avaliar possíveis restrições a viagens.

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“O presidente deixou claro que estamos considerando restrições a viagens não apenas para o Brasil, mas também para outros países”, disse Pence na quarta-feira 20.

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