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Covid-19: Rússia escava trincheira ao redor de vila para impor quarentena

Após ritual xamã conduzido por mulher infectada, 10% da população de uma vila na Sibéria testou positivo para o coronavírus

Por Da Redação 6 jul 2020, 15h26

O governo da Rússia escavou uma trincheira em torno de uma vila isolada na Sibéria para impor uma quarentena contra o coronavírus, depois que 10% da população foi infectada. Nesta segunda-feira, 6, a vila de Shuluta completa uma semana de confinamento, com a barreira física impedindo a entrada de turistas e reduzindo a circulação de moradores.

Autoridades locais acreditam que o surto de coronavírus começou devido a um ritual tradicional xamã no dia 10 de junho, conduzido por uma mulher infectada. A vila tem apenas 390 moradores, sendo que 37 estão com  Covid-19. Os infectados e outras 95 pessoas que entraram em contato com eles deverão fazer uma quarentena obrigatória de 14 dias, segundo o chefe da administração local, Ivan Alkheyev.

As trincheiras ao redor de Shuluta foram escavadas no dia 29 de junho, para impedir que turistas a caminho do Parque Nacional Tunka passassem pela vila e para limitar a circulação dos habitantes. A única estrada para a vila que não foi isolada pela vala agora é patrulhada por autoridades locais e guardas nacionais russos que permitem apenas ambulâncias e entregas de comida.

Algumas pessoas são céticas quanto à ordem de isolamento. Uma moradora da vila cujo teste deu positivo para a Covid-19 disse que não conseguia acreditar no resultado, já que “não tenho nenhum sintoma”, como disse a uma emissora regional de televisão.

Outra moradora, cujo marido morreu após um acidente vascular cerebral e testou positivo para o vírus, disse que não concorda com o diagnóstico, afirmando ter sido “apenas um derrame”.

O Serviço Federal de Vigilância da Proteção dos Direitos do Consumidor e Bem-Estar Humano disse o grupo que participou do ritual xamã pode receber uma multa, devido à proibição de eventos públicos na região.

O número de casos de coronavírus da Rússia, o quarto maior do mundo, subiu para 686.777 nesta segunda-feira, segundo o levantamento em tempo real da Universidade Johns Hopkins. O número de mortos, por outro lado, é considerado relativamente pequeno – 10.271. Segundo o governo, a discrepância ocorre devido a um sistema de testagens em massa. Críticos dizem que os dados não são transparentes.

(Com Reuters)

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