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Corte egípcia condena jornalistas da Al Jazeera à prisão

Músicas pop ocidentais foram algumas das provas apresentadas contra os jornalistas da rede catariana. Dois dos réus condenados já trabalharam na CNN

Um juiz egípcio sentenciou nesta segunda-feira três jornalistas da TV catariana Al Jazeera a penas de sete a dez anos de prisão depois de considerá-los culpados de vários delitos, incluindo ajuda a uma “organização terrorista” e por “publicarem mentiras”. O australiano Peter Greste, correspondente da Al Jazeera no Quênia, e o egípcio-canadense Mohamed Fahmy foram condenados a sete anos de reclusão. O produtor egípcio Baher Mohamed foi considerado culpado por posse de arma de fogo e sentenciado a cumprir dez anos de prisão.

Greste, Fahmy e Mohamed estavam produzindo conteúdo em inglês para o canal de notícias Al Jazeera quando foram detidos. Greste, correspondente experiente, trabalhou anteriormente para a CNN, Reuters e BBC. Fahmy, chefe do escritório do canal catariano no Cairo, também trabalhou para a CNN.

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Outros sete funcionários da rede catariana Al Jazeera foram condenados à revelia a dez anos de prisão: Alaa Bayoumi, Anas Abdel-Wahab Khalawi Hasan, Khaleel Aly Khaleel Bahnasy, Mohamed Fawzi, Dominic Kane e Sue Turton. Todos os condenados foram considerados culpados por colaborarem com o grupo político-religioso Irmandade Muçulmana, que foi proibido no Egito. Os condenados à revelia não correm o risco de serem presos, pois estão fora do Egito.

A Al Jazeera sempre rejeitou as acusações contra seus jornalistas e mantém a convicção de inocência de seus funcionários. Para a rede catariana, os jornalistas estavam apenas exercendo sua profissão e conversando com todos os lados envolvidos nos conflitos políticos no Egito. Greste, Fahmy e Mohamed foram presos em dezembro, no Cairo, quando eles cobriram as consequências da remoção de Mohamed Mursi da presidência, em julho.

A Irmandade Muçulmana, que apoiava Mursi, foi considerada uma organização “terrorista” pelo governo egípcio pouco antes de os acusados ​​serem presos. A acusação produziu uma série de itens como “prova”, incluindo um podcast para a BBC – uma reportagem em áudio feita enquanto nenhum dos acusados ​​estava no Egito. Entre as “provas” também está um vídeo pop do cantor australiano Gotye e diversas “músicas que são contra as questões egípcias” encontrados nos celulares dos jornalistas.

A defesa sustentou que os jornalistas foram injustamente presos e que a promotoria não conseguiu provar nenhuma das acusações contra eles. O diretor de conteúdos em inglês da Al Jazeera, Al Anstey, disse que os veredictos desafiam “a lógica, sentido e qualquer aparência de Justiça”. Em uma declaração publicada no site da rede, Anstey afirma que: “três colegas e amigos foram condenados e continuarão a ser mantido atrás das grades por terem feito um trabalho brilhante de ser grandes jornalistas”. Para o diretor da Al Jazeera, os jornalistas são “culpados por defenderem o direito das pessoas de saber o que está acontecendo no mundo”.

Segundo a rede CNN, a Anistia Internacional afirmou que Greste, Fahmy e Mohamed são peões em uma disputa geopolítica entre o Egito e o Catar, o pequeno país Oriente Médio que financia a Al Jazeera. O Catar é visto pelos egípcios como defensor e financiador da Irmandade Muçulmana.

(Com agência Reuters)