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Corte de sinais de celular é principal retaliação do governo

Brasileiro diz que turistas 'não passam aperto no Cairo', apesar da confusão

Por Da Redação 1 fev 2011, 19h56

O brasileiro Paulo Araújo, estilista que está no Egito desde a semana passada para o casamento da também brasileira Tatiana Cardoso com um egípcio, acabou se envolvendo nos protestos contra o governo. Ele participou da manifestação que reuniu mais de 1 milhão de pessoas nas ruas do Cairo nesta terça-feira. “Fiquei sensibilizado ao ver tantas pessoas que nunca souberam o que é uma democracia lutando por melhores condições”, disse ao site de VEJA. “Como vim para o casamento e o meu compromisso foi adiado, resolvi entender um pouco do que está acontecendo no Egito. Hoje, fiquei das 15 às 18 horas entre os manifestantes, no viaduto que leva ao centro do Cairo”, relatou Araújo, que está hospedado num hotel próximo ao centro da capital.

Segundo o brasileiro, os turistas não passam aperto, apesar da confusão na cidade. “Não estamos em pânico, como muitos do outro lado do mundo imaginam”, ressaltou. Ele disse que os militares permanecem encostados nos tanques de guerra, de braços cruzados. “Os militares estão ali apenas para manter a segurança de quem está andando na cidade.” Araújo relatou que a polícia pede o tempo todo para que os manifestantes mantenham a calma, e avisam quando dá o horário do toque de recolher. Mas, mesmo que as pessoas não obedeçam, eles não tomam nenhuma atitude drástica.

A única forma de interferência do governo é a interrupção das comunicações no Cairo. Além de a internet não estar funcionando desde segunda-feira em todo o país, a telefonia móvel foi interrompida no centro da capital, com o objetivo de impedir que os manifestantes se comuniquem uns com os outros. “Não há sinais telefônicos na praça central, por exemplo, devido a um rastreamento feito pelo governo”, disse Araújo.

Os manifestantes – Apesar de o toque de recolher ter começado às 15 horas nesta terça, apenas depois das 18 horas as pessoas começaram a voltar para casa. Muitos manifestantes, porém, optaram por dormir ao relento, para não abandonar a causa. Eles recebem comida e água de parentes, que vão ao local ajudá-los. Além de lojas e bancos estarem fechados, todo o dinheiro foi retirado dos caixas eletrônicos. “Não se pode separar quem é quem na multidão. Durante os protestos, vândalos se misturam com os pacifistas. Sabendo que tudo está fechado, há menos motivo para confusão”, explicou o estilista.

Para Araújo, os protestos estão com mais jeito de “passeata pacífica”. “É certo que os manifestantes chegaram a queimar alguns carros e botaram simbolicamente um boneco numa forca. Mas, desde sábado à tarde, não há agressão. Até crianças de colo participam das manifestações”.

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