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Corpos encontrados em fossa no México não são de estudantes desaparecidos

Outros 14 policiais são presos por suspeita de envolvimento; narcotraficante morre em operação policial

O procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam, afirmou nesta terça-feira que os 28 corpos carbonizados encontrados em cinco fossas próximas a Iguala não são de nenhum dos 43 estudantes de uma escola rural que desapareceram em 26 de setembro. “Posso lhes dizer que não correspondem ao DNA dos familiares destes jovens”, disse o procurador. Murillo afirmou também que não foram encontrados corpos em um segundo conjunto de fossas, mas que um terceiro local já começou a ser analisado pelos peritos.

Nesta terça-feira, as autoridades mexicanas detiveram mais 14 policiais do município de Cocula, no estado de Guerrero, suspeitos de participar do sequestro dos estudantes. O diretor da Agência de Investigação Criminal (AIC), Tomás Zerón de Lúcio, informou que os suspeitos confessaram ter participado do sequestro dos estudantes, que depois teriam sido levados ao cartel Guerreros Unidos. No dia 1 de outubro, outros 22 policiais já haviam sido presos por suspeita de envolvimento com o caso.

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Cartel – O chefe do Guerreros Unidos morreu na madrugada desta terça-feira durante uma operação da Polícia Federal na cidade de Jiutepec, informou a Comissão Nacional de Segurança (CNS). Um porta-voz dessa instituição, à qual está submetida a Polícia Federal, informou que o narcotraficante Benjamín Mondragón aparentemente cometeu suicídio ao ser cercado pelos agentes durante a ação policial. A CNS afirmou que “ele preferiu cometer suicídio a se entregar”, mas que essa versão ainda deve ser confirmada pela Procuradoria. No entanto, parte da imprensa mexicana afirma que Mondragón foi morto por policiais na operação realizada em Jiutepec, uma cidade de 200.000 habitantes vizinha da turística Cuernavaca, situada 90 quilômetros ao sul da Cidade do México.

O sumiço dos 43 jovens elevou a tensão em Guerrero, onde na segunda-feira centenas de estudantes e professores se envolveram em confrontos com a polícia e incendiaram parte da sede do governo regional, exigindo a renúncia do governador Ángel Aguirre.

Histórico – No dia 26 de setembro, um grupo de estudantes da escola rural de Ayotzinapa foi à cidade vizinha de Iguala para arrecadar fundos para seus estudos – uma prática comum no início do ano letivo no México, similar ao trote que os estudantes brasileiros impõem aos calouros. A polícia de Iguala, contudo, com o apoio de pistoleiros de um cartel de drogas local, parou o grupo, em ação que deixou seis mortos e 43 estudantes desaparecidos.

(Com agências Reuters e France-Presse)