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Coronavírus: dados sugerem subnotificação de mortes nos EUA

Levantamento do jornal 'The New York Times' aponta a um aumento de mortes "acima do normal" em abril de 2020, maior do que o registrado pelo governo

Por Da Redação Atualizado em 29 abr 2020, 14h49 - Publicado em 29 abr 2020, 14h45

Dados parciais divulgados na terça-feira 28 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos sugerem que o número de mortes devido à Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, pode ser ainda maior nos estados mais afetados pela pandemia, segundo um levantamento feito pelo jornal americano The New York Times.

O jornal analisou o total de mortes registradas em diversos estados em um período de cinco semanas, entre 8 de março e 11 de abril, fossem elas causadas pelo vírus ou não. Depois, comparou os números com os dados sobre os óbitos neste mesmo período em anos anteriores.

Segundo o NYT, a diferença no número de mortes contabilizadas em 2020 e nos anos anteriores é muito maior do que o total de falecimentos causados pela Covid-19 reportados em cada um dos estados.

Por exemplo, a cidade de Nova York registrou 11.900 mortes a mais durante esse período, mas destes apenas 10.261 foram por Covid-19. A diferença é de 1.639 óbitos, todos considerados acima do normal, segundo os dados dos últimos cinco anos. O mesmo padrão se repete em outros lugares, como Nova Jersey, Michigan, Massachusetts, Illinois, Maryland e Colorado.

Em Nova Jersey, as mortes acima do normal chegaram a um aumento de 72% – mais de 5.000 mortes adicionais, sendo que apenas 2.183 delas foram causadas pela Covid-19. No Michigan, foram 2.000 mortes em cinco semanas –1.391 pelo vírus–, um aumento de 21%.

Os dados são parciais e podem não abranger os registros mais recentes de mortes. Segundo o Times, contudo, podem ilustrar como o coronavírus está causando um aumento de mortes nos locais mais atingidos e, provavelmente, matando mais pessoas do que é reportado.

  • No entanto, não é possível afirmar com certeza se a grande diferença no total de mortes diz respeito somente a casos de Covid-19. A lacuna mostra, porém, que a superlotação do sistema de saúde, com todas as unidades de terapia intensiva ocupadas, pode estar levando a um aumento da mortalidade e impedindo que pessoas que sofrem de outros males tenham acesso ao serviço médico.

    A comunidade científica acredita que políticas de isolamento funcionam justamente para prevenir o colapso em hospitais e do sistema funerário. Os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia, com mais de 1 milhão de casos e quase 59.000 mortes. O presidente Donald Trump busca culpar a China ou a Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo vírus, apesar de sofrer críticas internas por sua gestão da crise.

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