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Coreia do Norte prepara funeral grandioso para Kim Jong-il

Por Por Patrice Novotny 27 dez 2011, 09h26

O governo da República Popular Democrática da Coreia prepara nesta terça-feira o funeral grandioso de Kim Jong-il de quarta-feira, que se converterá em uma ocasião para celebrar o culto do líder recentemente falecido e o de seu filho e herdeiro, Kim Jong-un, já firmemente instalado no poder.

Poucos detalhes foram divulgados sobre o desenrolar das cerimônias previstas para quarta-feira, organizadas 11 dias após a morte do líder incontestável durante 17 anos.

Os observadores esperam uma demonstração bem orquestrada de lealdade a Kim Jong-il e também ao poder que o substituiu, seguindo o modelo já utilizado em 1994 no funeral de Kim Il-sung, considerado o fundador do Estado norte-coreano.

Filho e sucessor do líder morto em 17 de dezembro, Kim Jong-un deverá aparecer em um local central, já que o regime ofereceu diversas mostras de lealdade para garantir uma transição rápida.

Já chamado de “grande sucessor e “grande camarada”, este homem de menos de 30 anos e sem qualquer experiência política conhecida já foi designado na imprensa norte-coreana como o “comandante supremo” das Forças Armadas e líder do Partido dos Trabalhadores da Coreia.

O jornal do partido, o Rodong Sinmun, publicou o nome de Kim Jong-un em enormes caracteres em sua edição desta terça-feira, um privilégio que até agora estava reservado unicamente a Kim Il-sung e a Kim Jong-il.

“Kim Jong-un, grande sucessor da causa revolucionária e líder esclarecido de nosso partido, do Estado, das Forças Armadas e do povo, está liderando a revolução”, afirmou a agência de notícias oficial KCNA ao descrever a última visita do novo líder ao mausoléu em Pyongyang onde repousam os restos de seu pai.

O regime decidiu não aceitar a presença de nenhum representante estrangeiro para participar dos funerais. Duas delegações sul-coreanas não governamentais, enviadas na segunda-feira para apresentar suas homenagens, retornaram nesta terça-feira à Coreia do Sul.

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Estas delegações eram lideradas por Lee Hee-Ho, viúva do ex-presidente sul-coreano Kim Dae-jung (que organizou no ano 2000 a primeira cúpula intercoreana com Kim Jong-il), e Hyun Jung-eun, presidente do grupo industrial Hyundai, pioneiro da cooperação econômica entre os dois países.

As duas mulheres se encontraram brevemente com Kim Jong-un na tarde de segunda-feira para apresentar a ele suas condolências. Em seu retorno a Seul, Lee disse esperar que sua visita ajude a melhorar as relações entre a Coreia do Sul e do Norte.

Ao regressar, Lee e Hyun passaram pelo complexo industrial de Kaesong, situado no lado norte da fronteira. Trata-se do último grande projeto econômico bilateral, que sobreviveu às tensões dos dois últimos anos.

As relações são difíceis entre os dois vizinhos, mas o governo sul-coreano tentou reduzir as tensões após o anúncio da morte de Kim Jong-il, ao enviar uma mensagem de “condolências ao povo da Coreia do Norte”, por temer que qualquer distúrbio possa levar a um confronto.

Apesar de uma economia em ruínas, que enfrenta dificuldades para alimentar uma população de 24 milhões de habitantes, a Coreia do Norte possui um Exército de 1,2 milhão de homens e também armas atômicas.

Esta capacidade militar faz com que as potências regionais esperem a estabilidade do país. Os países da região multiplicaram as consultas depois do anúncio da morte de Kim, no dia 19 de dezembro.

Depois de uma visita à China, um emissário sul-coreano deve viajar na quarta-feira aos Estados Unidos para analisar a possibilidade de relançar as negociações do Sexteto (as duas Coreias, China, Estados Unidos, Japão e Rússia).

O objetivo destas negociações é convencer a Coreia do Norte a iniciar um processo de desarmamento de seu arsenal nuclear em troca de ajuda energética.

Pyongyang bloqueou o avanço destas negociações em abril de 2009, e realizou seu segundo teste nuclear apenas um mês mais tarde.

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