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COP-21: 100 feridos em confronto entre ativistas e a polícia em Paris

As forças de segurança francesas usaram gás lacrimogêneo para conter centenas de manifestantes que jogaram sapatos e garrafas contra os agentes

As forças de segurança francesas usaram gás lacrimogêneo neste domingo em Paris para conter centenas de manifestantes, muitos deles mascarados, que jogaram sapatos e garrafas contra os agentes, durante manifestações contrárias à conferência do clima da ONU em Paris, a COP-21, na véspera do início da reunião mundial.

O protesto foi convocado em Paris contra a proibição de se manifestar, à margem da COP-21. De acordo com o chefe de Polícia da capital, Michel Cadot, cerca de 100 pessoas foram detidas até o momento. “São pequenos grupos violentos que enfrentaram as forças da ordem com projéteis”, como “velas e até uma bola de bocha”, relatou o chefe de Polícia, acrescentando que não há informações de feridos.

Os manifestantes se reuniram perto da Praça da República, convocados por pequenos grupos “AntiCop21”. Aos gritos de “Ouçam nossas vozes! Estamos aqui!” e “Estado de emergência, Estado policial, não vão tirar nosso direito de manifestação”, os ativistas “AntiCOP21” seguiram para a Praça da República, centro da capital. Outros chegaram a jogar uma barreira de metal contra a polícia, que reagiu com gás lacrimogêneo e avançou contra os manifestantes.

Milhares de pessoas de todas as idades deram as mãos ao longo de 2 quilômetros na avenida Voltaire, na zona leste de Paris, deixando um espaço de 100 metros diante da casa de espetáculos Bataclan. O estabelecimento sofreu o mais letal dos ataques que deixaram 130 mortos na fatídica sexta-feira 13. “Por um clima de paz!”, pediam vários cartazes perto do Bataclan. As manifestações em Paris aconteceram sob um rígido esquema de vigilância policial e apesar da proibição, atualmente em vigor, da realização de atos públicos na região de Paris.

Quase 10 000 homens das forças de segurança foram enviados para a capital para proteger a cidade durante a Conferência da ONU. Desse efetivo, 2 800 agentes ficarão na sede da COP-21, organizada no parque de exposições aeronáuticas Le Bourget. Para simbolizar a grande marcha que não pôde acontecer, os ativistas deixaram milhares de sapatos na Praça da República e fizeram um cerco à estátua central para tentar evitar que manifestantes mais radicais usassem velas e outros objetos em homenagem às vítimas como “projéteis”.

Segundo os organizadores, quase quatro toneladas de sapatos foram deixados no local, que se transformou em um memorial das vítimas. As mobilizações pelo clima vão da Austrália, onde milhares de pessoas saíram às ruas, até o México, incluindo várias cidades de todos os continentes. O objetivo é exigir medidas que impeçam transformações irreversíveis, como secas devastadoras e a elevação do nível dos oceanos. Segundo os estudos de referência, essas mudanças vão ocorrer ao longo deste século, inevitavelmente, se as emissões de gases causadores do efeito estufa se mantiverem em seu nível atual.

COP-21 começa na segunda-feira – A partir desta segunda-feira, 30 de novembro, 147 chefes de Estado e de Governo vão participar da cúpula do clima em Le Bourget, ao norte de Paris. O evento reunirá pelo menos 40 000 participantes, entre eles 10 000 delegados de 195 países, além de cientistas, observadores, jornalistas e visitantes. Barack Obama (Estados Unidos), Xi Jinping (China), Angela Merkel (Alemanha), Dilma Rousseff e Enrique Peña Nieto (México) estão entre os líderes esperados. O objetivo da conferência é limitar o aquecimento a 2ºC em relação à era pré-industrial, reduzindo as emissões poluentes que causam a mudança climática.

(com Agência France Presse)