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Convenção inédita marca a largada da fase decisiva

Por Giancarlo Lepiani 25 ago 2008, 06h48

Com agência Reuters

Depois de quase um ano e meio de campanha, a corrida eleitoral americana começa para valer nesta segunda-feira. As candidaturas estão lançadas desde o início de 2007 — mas só com as convenções partidárias tornam-se oficiais e passam a ganhar ainda mais espaço entre os americanos. A primeira convenção, a dos democratas, começa nesta segunda e já entra para a história antes mesmo de seu início: será a primeira a confirmar a candidatura de um negro à presidência.

O encontro é considerado decisivo porque servirá para indicar a situação no partido depois da definição da chapa — no fim de semana, o senador Barack Obama apontou o também senador Joe Biden como seu candidato a vice, frustrando a expectativa dos eleitores da candidata derrotada Hillary Clinton, também cotada para a vaga. Muitos temem que a escolha acirre ainda mais os ânimos e atrapalhe a candidatura de Obama no duelo com o senador republicano John McCain.

Na véspera da convenção de quatro dias que nomeará Obama como candidato, políticos do partido pregavam união interna. Assessores de Obama prevêem que partidários descontentes de Hillary Clinton vão manter o apoio à chapa indicada pelo Partido Democrata. Mais de 4.000 delegados democratas e dezenas de milhares de dirigentes, ativistas e jornalistas estão em Denver, no Colorado, para a formalização da nomeação de Obama como líder do partido e candidato a presidente.

Irritação – Assessores de Obama minimizaram a potencial nota de discórdia no evento. Obama vem tentando diminuir a tensão, tendo concordado com a colocação do nome de Hillary como candidata à nomeação e em dar a ela tempo destacado nos discursos de terça-feira à noite. Seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, falará na quarta-feira à noite. Mas a irritação com o tratamento dado a Hillary aumentou novamente entre os partidários dela quando Obama escolheu Joe Biden.

“Veja, ele tem uma grande consideração pela senadora Clinton”, disse neste domingo um conselheiro de Obama, David Axelrod, ao programa This Week, da rede de TV ABC. “Mas ele sentiu que o senador Biden seria sua melhor opção neste momento.” Obama conversou com Hillary e Bill Clinton semana e seus conselheiros previram que quaisquer sentimentos feridos estarão curados no momento em que Obama fizer seu discurso de aceitação diante de 80.000 pessoas, na quinta.

Luther King – O pronunciamento de Obama, que poderá tornar-se o primeiro presidente negro dos EUA, será feito no estádio de futebol de Denver, no dia em que se completam 45 anos do histórico discurso de Martin Luther King intitulado “I Have a Dream” (Eu Tenho um Sonho) — um marco no movimento pelos direitos civis nos anos 1960. “Todos estão juntos. E a mídia irá à loucura quando emergirmos unidos desta convenção”, disse o estrategista de Obama, Robert Gibbs.

Obama está numa disputa acirrada com o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, segundo a maioria das pesquisas nacionais de opinião. Os republicanos tentaram insuflar os comentários sobre uma possível hostilidade dos Clintons a Obama, colocando uma série de anúncios na TV mostrando as críticas dela a Obama durante as prévias para a escolha do candidato democrata. Biden também havia criticado Obama no começo da campanha, e isso será explorado.

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