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Contra médicos, Trump sugere injeção de desinfetante para tratar Covid-19

Presidente americano ainda encorajou os testes de tratamentos usando luzes ou raios ultravioletas; especialistas criticaram declarações 'irresponsáveis'

Por Da Redação Atualizado em 24 abr 2020, 09h33 - Publicado em 24 abr 2020, 09h23

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o uso de injeções de desinfetante poderia ser usadas para tratar o novo coronavírus em um pronunciamento nesta quinta-feira 23. A sugestão chocou a comunidade médica e científica, que a classificou a sugestão como “irresponsável e perigosa”.

“Vejo o desinfetante, que derruba o vírus em um minuto. Um minuto. Será que há alguma forma de fazer algo, como injetar ou fazer uma limpeza em uma pessoa?”, disse o presidente. “Porque, veja bem, ele entra nos pulmões e faz um trabalho tremendo, então seria interessante checar isso. Será preciso ver com os médicos, mas soa interessante para mim”, completou.

Trump também mencionou supostos estudos que mostram uma diminuição na agressividade do vírus quando exposto ao calor, luminosidade e umidade. Ele chegou a sugerir que a equipe médica poderia testar um tratamento com luzes ou raios ultravioletas para o coronavírus. “Talvez seja possível, talvez não seja. Eu não sou médico”, disse.

A médica Deborah Birx, coordenadora da resposta ao novo coronavírus da Casa Branca, permaneceu em silêncio perante as declarações do presidente. No entanto, outros membros da comunidade científica reagiram imediatamente às suposições feitas por Trump.

“Eu certamente não recomendaria a ingestão interna de desinfetante”, disse Stephen Hahn, funcionário da FDA (agência de vigilância sanitária americana), à emissora CNN.

“Esta noção de injetar ou ingerir qualquer tipo de produto de limpeza é irresponsável e perigosa”, disse Vin Gupta, pneumologista e especialista em políticas de saúde pública, em declarações à emissora NBC News. “É um método comum que as pessoas utilizam quando querem se matar”, acrescentou.

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Nas redes sociais, médicos e pesquisadores também se pronunciaram com surpresa e preocupação. “As coletivas de Trump estão colocando a saúde pública em perigo . Ouçam os especialistas. E, por favor, não bebam desinfetante”, escreveu no Twitter Robert Reich, professor na Universidade de Berkeley.

Esta não é a primeira vez que Trump ignora evidências científicas para promover tratamentos contra a Covid-19 – embora nunca tenha ido tão longe quanto sugerir a injeção de desinfetante. O presidente tem incentivado o uso da hidroxicloroquina, medicamento utilizado no tratamento da malária e outras doenças, mas não há estudos suficientes para confirmar sua eficácia contra o novo coronavírus.

Nesta semana, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos contraindicou o uso do medicamento para tratar a Covid-19.

O médico americano que liderava pesquisas sobre vacinas contra o coronavírus  disse ter sido afastado de seu cargo por ter questionado Trump. Rick Bright disse ter sido “involuntariamente transferido” do cargo de diretor da Autoridade Biomédica Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento (Barda, na sigla em inglês), a agência responsável por desenvolver e comprar vacinas no país, depois de pedir um teste clínico mais rigoroso sobre a hidroxicloroquina.

Os conflitos entre Trump e as autoridades de saúde têm sido constantes. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos desde 1984 e médico conselheiro da Casa Branca, chegou a ficar na corda bamba por constantemente discordar do presidente, especialmente em relação ao uso da hidroxicloroquina. O médico de 79 anos resistiu à pressão e se manteve no cargo.

Recentemente, Trump também entrou em rota de colisão com Robert Redfield, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o principal instituto nacional de saúde pública americano, que alertou em uma entrevista ao The Washington Post que uma segunda onda do coronavírus pode ser muito mais devastadora do que a atual. Trump, então, recorreu ao Twitter para negar a informação e dizer que as palavras do médico foram mal interpretadas.

A situação se assemelha à ocorrida no Brasil, onde os debates sobre a eficácia da cloroquina e normas de isolamento social contribuíram para o desgaste na relação e consequente demissão do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta por parte do presidente Jair Bolsonaro.

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