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Conselho eleitoral venezuelano aprova auditoria de votos

Auditoria será feita em 46% das urnas, pois 54% já passaram pelo procedimento no dia da eleição, explicou a presidente do órgão eleitoral, Tibisay Lucena

Por Da Redação 19 abr 2013, 02h18

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciou na noite desta quinta-feira (início da madrugada de sexta em Brasília) que aceitou o pedido do candidato da oposição, Henrique Capriles, e autorizou a auditoria de 100% dos votos das eleições de domingo passado, vencidas pelo chavista Nicolás Maduro. Segundo o órgão, 54% das urnas já foram auditadas no domingo em um procedimento padrão e o restante da recontagem será feito agora. “Acordamos ampliar a auditoria sobre 46% das urnas que não foram auditadas no dia da eleição”, disse a presidente do CNE, Tibisay Lucena, em pronunciamento.

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O procedimento, feito em 400 urnas por dia, será concluído em até um mês e constitui na checagem de amostras das urnas “de garantia”, aquelas em que é depositado um comprovante em papel emitido pela urna eletrônica. A mensagem foi transmitida em cadeia obrigatória de rádio e televisão e Lucena disse que o CNE tomou essa decisão “atendendo a uma situação evidentemente particular” no país, referindo-se ao clima de tensão e desconfiança despertado após a contestada eleição de Maduro.

Na quarta-feira, a equipe de campanha de Capriles apresentou uma solicitação perante o conselho eleitoral para a revisão da votação do último domingo como condição indispensável para aceitar os resultados. O candidato chavista, Nicolás Maduro, venceu o líder da oposição pela curta margem de 1,78%, o que representa cerca de 265.000 votos de diferença.

Depois de Capriles ter anunciado que não reconheceria os resultados até a recontagem de 100% dos votos, vários protestos opositores ocorreram por todo o país. Oito pessoas morreram em confrontos e mais de 60 ficaram feridas, segundo o governo.

Expressão – A presidente do CNE reiterou que os resultados emitidos pela entidade são “absolutamente transparentes” e refletem “de forma exata” a expressão dos venezuelanos. Lucena lembrou que no domingo já foi feita, em conformidade com a lei, a auditoria de 54% dos votos e que a solicitação apresentada pela oposição. Ela rejeitou o termo “recontagem de votos”, dizendo que isso só poderia ocorrer ao se impugnar os resultados perante a Suprema Corte.

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A presidente do CNE explicou que será selecionada uma amostra das urnas para ser auditada durante dez dias, quando se emitirá um relatório preliminar, repetindo esse procedimento até um prazo de 30 dias. Lucena assegurou que a entidade anunciará o início desse processo na próxima semana.

Oposição – Após o anúncio feito pelo CNE, o líder da oposição Henrique Capriles se pronunciou para dizer que aceita a auditoria. “Nós aqui, o comando Simón Bolívar, aceitamos o que o Conselho Nacional Eleitoral anunciou ao país. Com isso, estamos onde queremos”, indicou Capriles em uma declaração feita junto a sua equipe de campanha.

“Eu quero hoje felicitar o nosso povo, porque isso foi uma luta de vocês, das venezuelanas e dos venezuelanos. Essa foi uma luta heroica, uma luta espiritual, uma luta pela verdade”, acrescentou. A auditoria complementar dos 46% dos votos corresponde a cerca 12.000 urnas, disse o ex-candidato. “Nessas 12.000 urnas é que estão os problemas”, ressaltou Capriles. O líder opositor denunciou aproximadamente 3.200 irregularidades no pleito, que teriam compremetido o resultado oficial.

O candidado da coalização Mesa da Unidade Democrática considerou o procedimento anunciado pelo conselho eleitoral uma vitória. “Não havia um só relato de incidentes eleitorais no país”, lembrou. Para ele, o CNE “colocou a possiblidade de resolver a crise política que existe” na Venezuela. “Poderemos perfeitamente mostrar ao país a verdade”.

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(Com agência EFE)

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