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Conselho de Segurança da ONU volta a debater situação na Síria

Nações Unidas, 30 jan (EFE).- O Conselho de Segurança da ONU abordará novamente nesta terça-feira a deteriorada situação dos direitos humanos na Síria, com um projeto de resolução proposto pelo Marrocos que pede a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas rechaçado veementemente pela Rússia.

As discussões do Conselho, presidido neste mês de janeiro pela África do Sul, contarão com a participação da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, assim como dos ministros das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, e do Reino Unido, William Hague, numa nova tentativa de buscar uma solução aos mais de dez meses de violência na Síria.

As reuniões terão também a presença do secretário-geral da Liga Árabe, Nabil el-Araby, e do primeiro-ministro do Catar, Hamad bin Jassim al-Thani.

‘(Os Estados Unidos) apoiam o projeto de resolução apresentado pelo Marrocos e achamos que é vital que o Conselho respalde em sua totalidade as propostas da Liga Árabe’, disse nesta segunda-feira a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, em declarações à imprensa.

Sobre a mesa de negociações do Conselho de Segurança da ONU está a proposta marroquina que busca pôr fim à violência na Síria e enfatiza o plano de paz proposto pela Liga Árabe ‘para facilitar uma transição política que leve a um sistema político democrático e plural’, segundo uma cópia do documento ao qual a Agência Efe teve acesso.

Esse último projeto de resolução foi apresentado na sexta-feira passada pelo embaixador do Marrocos na ONU, Mohammed Loulichki, foi redigido por representantes árabes e europeus e conta com o apoio dos EUA.

Rice considera que este é o ‘momento’ para que essa resolução seja aprovada. Ela ressaltou que o conteúdo do texto ‘é bastante simples, não inclui sanções, nem uso da força ou ameaça de uso da força’, mas representa um sinal de apoio aos planos da Liga Árabe. ‘É o mínimo que o Conselho pode fazer’.

O texto marroquino pede a Assad que transfira o poder a seu vice-presidente para formar um ‘governo de união nacional’ que lidere um processo de transição rumo a ‘eleições transparentes e livres sob supervisão árabe e internacional’.

O projeto de resolução condena também ‘as contínuas e estendidas graves violações de direitos humanos e as liberdades fundamentais por parte das autoridades sírias’, e pede o fim imediato da violência, a libertação de prisioneiros, a retirada das forças de segurança da rua e o acesso da imprensa estrangeira, entre outros assuntos.

Sobre a oposição russa ao projeto, Rice assinalou que ‘o melhor seria um apoio unânime e que todos respaldassem o plano da Liga Árabe’, lembrando que já transcorreram ‘dez meses de horrível aumento da violência de um governo contra seu povo’.

Rice, que evitou considerar se a Síria está ou não diante de uma guerra civil, destacou que muitos membros da comunidade internacional, desde os vizinhos da Síria até os países da União Europeia (UE) e EUA, estão tentando prevenir um cenário pior.

Membro permanente e com poder de veto, a Rússia, tradicional aliada de Damasco, rejeita esse projeto porque considera que ele ultrapassa os limites de ação da ONU e inclui ‘pontos inaceitáveis’, como a ‘ideia de impor certo desfecho ao diálogo político quando este nem sequer começou’, declarou o embaixador russo na organização, Vitaly Churkin.

Enquanto isso, o número de mortos na Síria aumentou nas últimas semanas e já poderia chegar a 6 mil, segundo a oposição no país. EFE