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Congressistas criticam aproximação dos EUA com Cuba

Críticas vieram tanto de republicanos como de democratas. 'Obama perdoou comportamento brutal do governo cubano', disse senador democrata

Por Da Redação 17 dez 2014, 16h22

O anúncio de aproximação com Cuba feito nesta quarta-feira por Barack Obama desagradou alguns senadores e deputados, inclusive democratas, que viram com desconfiança os planos para normalizar relações diplomáticas com a ilha.

Um senador democrata chegou a afirmar que o acordo para a libertação de Alan Gross em troca de três agentes cubanos que cumpriam pena nos EUA “criou um precedente perigoso” e colocou vidas americanas em risco. Gross, funcionário da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês), foi solto depois de cinco anos preso na ilha.

“As ações do presidente Obama perdoaram o comportamento brutal do governo cubano”, disse o senador democrata Bob Menendez, que é presidente do Comitê de Relações Exteriores da Casa.

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“Negociar Gross por três criminosos condenados estabelece um precedente perigoso. É um convite para que regimes ditatoriais e brutais usem americanos que estão no exterior como moeda para barganhas. Eu temo que as ações de hoje vão colocar em risco milhares de americanos que trabalham no exterior apoiando a sociedade civil, o acesso à informação e promovendo reformas democráticas”, acrescentou. “Essa transação assimétrica vai provocar mais repressão de Cuba contra opositores e o endurecimento do governo ditatorial em relação ao seu povo”.

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O presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, também criticou duramente a mudança de política do presidente Obama em relação a Cuba, que considerou “mais uma em uma longa linha de concessões sem sentido” a ditadores brutais. “As relações com o regime dos Castro não devem ser revisitadas nem normalizadas até que o povo cubano desfrute de liberdade, e não um segundo antes disso”.

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O senador republicano Marco Rubio, que vai assumir em janeiro a presidência do subcomitê de Relações Exteriores para o Hemisfério Ocidental, divulgou comunicado avisando que vai usar seu novo cargo para “bloquear” a reaproximação, que ele classificou como perigoso e desesperado. “Isso é um absurdo e faz parte do posicionamento dessa administração para mimar ditadores e tiranos”, criticou. “Apaziguar os irmãos Castro vai incentivar tiranos de Caracas a Teerã e Pyongyang a tentar levar vantagem sobre a ingenuidade do presidente Obama nos seus últimos dois anos no cargo”.

O senador republicano Mitch McConnell, que será o novo líder da maioria no Senado a partir do ano que vem, endossou as palavras de Rubio. Seu colega Lindsey Graham resumiu: “Essa é uma ideia incrivelmente ruim”.

Apesar de Obama ter poder para retomar relações diplomáticas com Cuba, o anúncio desta quarta-feira foi visto como a mais recente de uma série de iniciativas de Obama para agir sem a necessidade de consultar o Legislativo. “Nós estamos confiantes em nossa capacidade para dar esses passos”, disse um membro da administração Obama a repórteres ao explicar as medidas a serem tomadas.

Se várias medidas poderão entrar em vigor nas próximas semanas e meses, um ponto crucial das relações entre os dois países, o embargo econômico imposto há décadas contra Cuba, depende de negociação com os congressistas para ser suspenso.

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