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Confronto em Beirute deixa pelo menos seis mortos e 30 feridos

Manifestantes se reuniam contra juiz responsável pelas investigações da explosão do porto de Beirute quando foram atacados por atiradores de elite

Por Da Redação Atualizado em 14 out 2021, 11h56 - Publicado em 14 out 2021, 11h55

Ao menos seis pessoas morreram e outras 30 ficaram feridas em um tiroteio em Beirute, Líbano, nesta quinta-feira, 14, iniciado pouco antes de uma manifestação que tinha como objetivo pedir a remoção do juiz responsável pela investigação sobre a explosão no porto da capital, em agosto de 2020.

O ministro do Interior libanês, Bassam Mawlawi, disse a repórteres que atiradores miravam nas cabeças das pessoas enquanto quatro foguetes foram disparados para o ar. O confronto de hoje já é considerado por autoridades o pior episódio de violência em mais de uma década.

Centenas de partidários do Hezbollah, apoiado pelo Irã, marchavam em direção ao Palácio da Justiça quando foram surpreendidos por atiradores de elite em cima dos telhados, obrigando manifestantes e jornalistas a se protegerem. Em vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver homens mascarados, provavelmente aliados dos manifestantes, respondendo com lançadores de foguetes e fuzis. 

O epicentro do confronto foi o bairro de Tayouneh, próximo ao local de começo da guerra civil libanesa, e trouxe à tona o medo de uma nova onda de violência no país assolado pela crise. Quatro horas após o início do embate, parte do tráfego voltou às ruas enquanto a Defesa Civil e a Cruz Vermelha evacuavam os atingidos pelos bombardeios.

Em uma declaração conjunta, o Hezbollah e o Amal acusaram o partido cristão de direita, as Falanges Libanesas, de estarem por trás do ataque. O partido, que havia ameaçado enviar um grupo de pessoas para confrontar os manifestantes, não respondeu às acusações.

“Está claro que esse ato foi muito bem planejado e realizado por profissionais. Nós não iremos revidar. O que eles querem é uma nova guerra civil, e não iremos por esse caminho”, disse um alto funcionário do Hezbollah à CNN.

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A organização fundamentalista tem feito forte oposição ao popular juiz, Tarek Bittar, que está liderando as investigações da explosão no porto da capital em agosto de 2020, que está buscando a acusação de oficiais de alto escalão. Esta semana, Bitar emitiu um mandado de prisão contra Ali Hassan Khalil, alto funcionário do Amal e ex-ministro das finanças.

O primeiro juiz responsável pelas investigações foi demitido depois de dois ex-ministros envolvidos conseguirem um pedido de remoção contra as acusações. Desde que o substituiu, Tarek Bittar tem ido atrás de grandes nomes no cenário político libanês.

Bittar tem sido alvo de forte pressão de grupos que o acusam de viés político. Na segunda-feira, o secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, acusou o juiz de usar “o sangue de vítimas para interesses políticos”, pedindo que fosse substituído.

As investigações sobre a explosão no porto de Beirute em agosto do ano passado foram interrompidas na última terça-feira, 12, em meio a uma intensa pressão de políticos sobre o juiz no comando do caso. Esta é a terceira vez em duas semanas em que há interrupção dos trabalhos para apurar o incidente na capital libanesa, que matou mais de 200 pessoas, feriu outras 6.500 e devastou diversas partes da cidade.

Além dos problemas deixados pela explosão, o Líbano também enfrenta um cenário econômico pessimista e uma uma onda de fome jamais vista na longa história de tragédias que marca o país. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos da ONU, os preços da cesta básica dispararam 628% no Líbano em apenas dois anos, criando uma situação de insegurança alimentar generalizada.

No mesmo período, a libra libanesa perdeu 90% do valor, minando por completo o poder de compra da população. Como resultado, três quartos em cada quatro libaneses vivem atualmente em situação de pobreza. 

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