Condições de trabalho na América Latina melhoraram muito pouco em 30 anos, diz BID
Brasil está entre países que mais avançaram na formalização do mercado de trabalho, embora compartilhe problemas estruturais da região
As condições de trabalho na América Latina avançaram muito pouco nas últimas três décadas, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira, 3, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
De acordo com o estudo “Fazer os mercados de trabalho funcionarem”, a renda real dos trabalhadores da região aumentou apenas 18% nos últimos 30 anos, ritmo equivalente a cerca da metade do observado nos países mais ricos que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O documento destaca que, apesar da expansão do emprego formal entre as mulheres e das melhorias nas redes de proteção social, a produtividade “permanece estagnada há décadas”.
“Os baixos níveis de renda são principalmente consequência da baixa produtividade, mas também, em ocasiões, resultado de os trabalhadores não receberem integralmente a parte do valor que geram”, aponta o texto. Um dos responsáveis pelo relatório, David S. Kaplan, explicou que “as habilidades dos trabalhadores estão defasadas em relação às demandas dos empregadores.”
Além dos entraves históricos, o BID alerta que a disseminação da inteligência artificial, do trabalho remoto e das plataformas digitais, somada ao envelhecimento da população, deve aumentar a pressão sobre os mercados de trabalho e os sistemas previdenciários.
Entre as recomendações, o texto defende políticas para estimular as contratações, visto que, em 2024, 46% dos trabalhadores da América Latina atuavam como autônomos ou estavam empregados em microempresas.
Condições de trabalho no Brasil
O relatório destaca ainda que o Brasil está entre os países que mais avançaram na formalização do mercado de trabalho nas últimas duas décadas, embora compartilhe os problemas estruturais da América Latina. A proporção de trabalhadores formais passou de 50% em 2004 para 65% em 2024, crescimento superior à média latino-americana, que avançou de 38% para 46% no mesmo período.
O Brasil também se destaca como um dos casos em que o aumento da produtividade foi acompanhado por crescimento da renda real dos trabalhadores, diferentemente de outros países onde esse ganho não se refletiu nos salários. Segundo o BID, elevar a produtividade só melhora o padrão de vida quando os trabalhadores também são beneficiados por meio de remunerações mais altas.







