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Condição das Farc para libertar francês é criticada dentro e fora da Colômbia

Bogotá, 8 mai (EFE).- O governo da Colômbia e organismos internacionais, como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e a Anistia Internacional (AI), rejeitaram nesta terça-feira a condição das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para libertar o jornalista francês Roméo Langlois, que foi capturado como ‘prisioneiro de guerra’ em 28 de abril.

Nesta segunda-feira, a organização anunciou que antes da libertação deveria ser feito um debate nacional e internacional sobre a cobertura do conflito na Colômbia, pois as Farc consideram que os repórteres que cobrem o lado do Exército são manipulados.

‘Esta organização criminosa não pode de nenhuma maneira impor condições de nenhum tipo, o governo não pode polemizar com criminosos, não se pode aceitar nenhuma discussão sobre esta situação’, afirmou em Bogotá o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón.

Horas antes, em Madri, o vice-presidente da Colômbia, Angelino Garzón, considerou essa exigência ‘um atropelo’ e ‘uma ofensa das Farc à liberdade de expressão e ao direito legítimo dos jornalistas em qualquer parte do mundo de exercerem sua profissão’.

‘O Estado colombiano faria um mal aos jornalistas e a comunidade internacional ao se prestar a este tipo de debate’, disse à Agência Efe Garzón, que ressaltou que ‘com os violadores dos direitos humanos não há discussão’.

As reações ao último comunicado da organização vieram de diferentes partes do mundo. Antes de condicionarem a libertação de Langlois a um debate sobre a imprensa, as Farc disseram no domingo que o jornalista seria solto ‘em breve’.

A Sociedade Interamericana de Imprensa, com sede em Miami, deixou claro que essa posição da guerrilha ‘é absolutamente improcedente e se choca com as práticas internacionais’.

Em comunicado, o presidente da SIP e diretor do jornal peruano ‘La República’, Gustavo Mohme, afirmou que as Farc são responsáveis pela vida do correspondente do canal ‘France 24’ e do jornal ‘Le Figaro’. Além disso, Mohme pediu a libertação imediata do repórter.

De Londres, a Anistia Internacional afirmou que ‘Langlois deve ser posto em liberdade de maneira imediata e incondicional, e devem ser adotadas medidas para assegurar que todos os jornalistas na Colômbia possam desenvolver seu trabalho de forma livre’.

A diretora do programa da AI para as Américas, Susan Lee, disse que um ‘debate sobre a liberdade de expressão e a maneira como a imprensa cobre o conflito na Colômbia poderia ser positivo, mas isso não deveria ser usado como pretexto para manter prisioneiro um jornalista’.

O jornalista colombiano exilado na Austrália, Luis Ernesto Almario, integrante do Comitê Internacional de Solidariedade a Joaquín Pérez, diretor da Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol), que está preso em Bogotá, foi um dos poucos que não atacou a organização.

Almario, que colabora com a Anncol (entidade pró-Farc) e a ‘Rádio Café Stéreo’, ambas com sede em Estocolmo, propôs que Langlois seja trocado por Pérez: ‘os dois são prisioneiros de guerra’, defendeu numa polêmica afirmação durante uma conversa telefônica com ‘La W Rádio de Bogotá’.

Pérez foi detido a pedido da Colômbia em 23 de abril de 2011 no aeroporto de Caracas pela Interpol.

O jornalista francês caiu em poder da Frente 15 das Farc em 28 de abril na zona rural de Montañita, no departamento de Caquetá, onde foi acompanhar uma operação de combate ao narcotráfico.

O ministro colombiano da Defesa confirmou hoje que Langlois assinou um documento que retirava qualquer responsabilidade do Exército se ocorresse algum problema com o jornalista durante a operação.

A polêmica está aberta na Colômbia e um dos motivos é a maneira como ocorreu seu sequestro: ele usava colete à prova de balas e uniforme militar, motivo que levou as Farc a consideraram Langlois um ‘prisioneiro de guerra’.

Pinzón criticou essa postura e disse que o jornalista ‘é um civil, um cidadão que estava realizando sua atividade profissional e por isso deve ser libertado urgentemente’. EFE