Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Como Nova York organiza sua reabertura após 3 meses de isolamento

Trabalhadores da indústria, da área de construção e do varejo "não-essencial" já podem retornar às atividades; metrô voltou a funcionar normalmente

Por Julia Braun Atualizado em 8 jun 2020, 13h31 - Publicado em 8 jun 2020, 13h18

Depois de quase três meses de quarentena e exatos 100 dias após a identificação do primeiro caso de coronavírus, a cidade de Nova York inicia nesta segunda-feira, 8, seu processo de reabertura. Por volta de 400.000 pessoas devem retornar ao trabalho nesta semana.

O estado de Nova York é a região mais atingida pelo coronavírus nos Estados Unidos. Ao todo, mais de 205.000 pessoas foram infectadas e quase 22.000 morreram na cidade homônima. A curva de contágio, contudo, vem observado uma queda desde o início de maio. Neste domingo 7, foram registrados 454 novos casos na cidade, enquanto em 7 de maio foram contabilizadas 1.883 novas infecções.

O governo inicia nesta segunda a Fase 1 de reabertura, e trabalhadores da indústria, da área de construção e do varejo “não-essencial” já podem retornar às atividades. Há, porém, algumas restrições. As lojas reabriram apenas para entrega e retirada, mas os clientes ainda não podem circular dentro dos estabelecimentos.

Na construção civil, cerca de 32.000 canteiros de obras reabriram. As empresas de construção estão adicionando recursos de segurança e estocando máscaras e luvas. Fabricantes, cujas lojas estão paradas desde março, estão testando máquinas.

ASSINE VEJA

Os riscos da escalada de tensão política para a democracia Leia nesta edição: como a crise fragiliza as instituições, os exemplos dos países que começam a sair do isolamento e a batalha judicial da família Weintraub
Clique e Assine

As linhas de metrô também voltaram ao seu funcionamento habitual durante o dia, com a totalidade de trens operando. Os usuários, porém, encontraram marcas no chão dos vagões e plataformas com instruções claras sobre o distanciamento. O uso da máscara no transporte público é obrigatório.

Algumas autoridades de saúde pública demonstraram preocupação com o fato de que o cronograma estabelecido pelo governador Andrew Cuomo e pelo prefeito Bill de Blasio ser ambicioso demais. Eles temem que as infecções aumentem à medida em que as pessoas retornem ao trabalho e os passageiros comecem a pegar o metrô novamente.

Porém, a Autoridade Metropolitana de Transportes não acredita que a hora do rush irá voltar significativamente na segunda – ou nos próximos dias. Mesmo quando as escolas e a Broadway tiverem permissão para abrir, e depois na última fase da reabertura, a projeção é de um número de ocupação abaixo de 70%.

Continua após a publicidade

“Este é um momento triunfante para os nova-iorquinos que lutaram contra essa doença”, disse Bill de Blasio em entrevista à emissora CNN nesta segunda-feira, pedindo que a população continue respeitando as regras impostas pelo governo. “Perdemos muitas pessoas. A dor nos mostrou que estamos todos juntos nisso e que precisamos fazer tudo corretamente”, afirmou.

Salões de beleza, escritórios e bares e restaurantes ainda permanecem fechados até a próxima fase de reabertura, que não tem data exata para começar, mas é esperada para o começo de julho. Shows da Broadway, museus e grandes eventos culturais ainda estão longe de retomarem as atividades.

Autoridades estaduais e municipais disseram estar otimistas de que a cidade comece a voltar à vida. Os testes são numerosos – cerca de 33.000 pessoas por dia, segundo o jornal The New York Times. Agora, as novas infecções caíram para cerca de 500 por dia – metade das registradas apenas algumas semanas atrás.

O caminho de volta à normalidade, porém, será desafiador. Mais de 885.000 pessoas perderam seus empregos na cidade e o orçamento local perdeu arrecadação tributária e enfrentará déficit de 9 bilhões de dólares no próximo ano. Grandes ganhos não são esperados para Nova York até 2022.

  • Protestos

    O coronavírus não é o único desafio de Nova York. A reabertura foi dificultada pelos vastos protestos pela justiça racial que varreram a cidade por mais de uma semana e forçaram funcionários do governo e empresários a ajustar inesperadamente seus planos.

    Neste domingo 7, a cidade anunciou o fim do toque de recolher imposto todas as noites desde a última segunda-feira, após mais um dia de protestos pacíficos massivos contra o racismo e a violência policial. “Estamos suspendendo o toque de recolher, com efeito imediato”, escreveu no Twitter Bill de Blasio, que elogiou os protestos de sábado 6. “Vi o melhor de nossa cidade”, enalteceu.

    De Blasio se referia a um dia em que milhares de pessoas saíram às ruas em todos os distritos da ‘Big Apple’ para continuar com as mobilizações iniciadas após a morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos sufocado por um policial branco em Minneapolis, no estado de Minnesota.

    Embora alguns manifestantes tenham novamente desafiado o toque de recolher, desta vez a polícia permitiu que as marchas continuassem sem intervir. Nos dias anteriores, os agentes haviam atuado com muita força. Segundo a imprensa local, o sábado terminou com cerca de 80 prisões, depois de 40 no dia anterior, e longe das mais de 700 feitas na segunda-feira.

    Continua após a publicidade
    Publicidade