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Comissão eleitoral da Líbia divulga os primeiros resultados

A coalizão liberal Aliança das Forças Nacionais (AFN) teria a maioria dos votos. As eleições não aconteciam há 48 anos e são consideradas históricas no país

Por Da Redação - 9 jul 2012, 14h10

O presidente da Comissão Suprema Eleitoral líbia, Nouri al Abar, informou os primeiros resultados das eleições legislativas realizadas no país no último sábado, apontando que a coalizão liberal Aliança das Forças Nacionais (AFN) tem a maioria dos votos. As eleições, que não aconteciam há 48 anos, são consideradas históricas na Líbia e contaram com cerca de 60% de participação, rendendo ao país elogios por parte da comunidade internacional. De acordo com Abar, há um considerável avanço em Trípoli e em Bengasi da AFN, coalizão que reúne mais de 40 pequenos partidos em torno dos responsáveis pela revolução de 2011 contra o ex-ditador Muamar Kadafi.

Entenda o caso

  1. • A revolta teve início no dia 15 de fevereiro, quando 2.000 pessoas organizaram um protesto em Bengasi, cidade que viria a se tornar reduto da oposição.
  2. • No dia 27 de março, a Otan passa a controlar as operações no país, servindo de apoio às tropas insurgentes no confronto com as forças de segurança do ditador, que está no poder há 42 anos.
  3. • Após conquistar outras cidades estratégicas, de leste a oeste do país, os rebeldes conseguem tomar Trípoli, em 21 de agosto, e, dois dias depois, festejam a invasão ao quartel-general de Kadafi.
  4. • A caçada pelo coronel terminou em 20 de outubro, quando ele foi morto por rebeldes em sua cidade-natal, Sirte. Um mês depois, seu filho e herdeiro político Saif al Islam foi capturado durante tentativa de fuga.

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Oito meses depois do final do conflito armado que provocou a queda e a morte de Kadafi, cerca de 2,7 milhões de eleitores foram convocados para eleger os cerca de 200 membros do chamado Congresso Nacional Geral, uma assembleia de transição na qual os islamitas esperam ter o mesmo bom resultado que seus vizinhos de Tunísia e Egito. Essa sessão histórica, no entanto, foi marcada pela morte de uma pessoa – e outra ficou ferida -, quando um homem que ainda não foi identificado abriu fogo nas proximidades de um colégio eleitoral no leste do país, conforme informaram fontes policiais.

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Com 3.702 candidatos e mais de 100 partidos listados, é difícil fazer um prognóstico, mas três formações políticas se destacaram durante a campanha eleitoral. Dois deles são islamitas: o Partido da Justiça e da Construção (PJC), um braço da Irmandade Muçulmana, e o Al-Watan, do polêmico ex-chefe militar de Trípoli Abdelhakim Belhaj. O terceiro grupo político de destaque é o dos liberais, reunidos em uma coalizão lançada por Mahmud Jibril, o ex-primeiro-ministro do CNT durante a revolta contra Kadafi.

Assentos – A repartição geográfica dos assentos da assembleia foi muito discutida, sobretudo no leste do país, onde os partidários do federalismo pediam mais deputados. O Conselho Nacional de Transição decidiu finalmente distribuir assentos de acordo com considerações demográficas, de modo que 100 serão eleitos no oeste do país, onde há o maior número de habitantes. O CNT também decidiu sob pressão que o sistema de votação da futura Assembleia Constituinte seja por maioria de dois terços, de modo que o oeste do país não possa tomar uma decisão sem a aprovação das outras regiões.

Os federalistas, por sua vez, exigem uma “repartição equitativa” dos assentos e ameaçam boicotar e sabotar o processo eleitoral se suas reivindicações não forem levadas em conta. Nos últimos dias, eles saquearam centros de votação no leste da Líbia, sobretudo na cidade de Bengasi. Diante dessas ameaças, existem dúvidas sobre a capacidade das autoridades de garantir a segurança das eleições, em um país onde milícias com armas pesadas circulam livremente.

(Com agências EFE e France-Presse)

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