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Comissão da ONU ouve ex-prisioneiros da Coreia do Norte

É a primeira vez que relatos sobre abusos de direitos humanos no país são analisados pelas Nações Unidas. Testemunhos falam de fome e execuções públicas

Por Da Redação 20 ago 2013, 18h32

Uma Comissão de Inquérito das Nações Unidas iniciou nesta terça-feira a primeira investigação sobre abusos aos direitos humanos na Coreia do Norte. Em uma audiência realizada em Seul, capital da Coreia do Sul, ex-prisioneiros de Pyongyang relataram os horrores presenciados e vividos nas prisões do país. Os testemunhos indicam que torturas físicas e psicológicas e execuções públicas ocorrem com frequência nos centros de detenção norte-coreanos. O Norte rejeita as acusações de abusos aos direitos humanos, não reconhece a comissão e nega acesso de investigadores ao país.

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Nesta terça, os três membros da comissão ouviram histórias como a de Shin Dong-hyuk. Ele contou que sua primeira memória da prisão eram as execuções públicas que os internos eram obrigados a acompanhar – ele presenciou a primeira quando tinha 5 anos de idade. Segundo ele, os detentos tinham tanta fome que devoravam ratos vivos, informou o jornal The New York Times. Dong-hyuk nasceu em uma penitenciária, teve um dedo arrancado pelos guardas por deixar cair uma máquina de costura e foi obrigado a assistir à execução da própria mãe e irmão.

Jee Heon-a, de 34 anos, falou à comissão sobre uma mãe que foi forçada a matar o próprio filho. “Era a primeira vez que eu via um bebê recém-nascido. Mas, de repente, ouvimos pegadas, e os guardas ordenaram o afogamento do bebê em uma bacia com água. Eles espancaram a mãe até o cumprimento da ordem”.

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A comissão criada em março pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU tem mandato de um ano para investigar denúncias de “graves, sistemáticas e disseminadas violações aos direitos humanos” na Coreia do Norte, como definiu o conselho, incluindo possíveis crimes contra a humanidade. As audiências públicas em Seul devem durar cinco dias, período em que trinta norte-coreanos devem ser ouvidos, incluindo alguns que conseguiram fugir do país recentemente. Outra rodada de audiências está prevista para o final deste mês, no Japão.

Fontes independentes estimam que até 200 000 pessoas estejam em campos de detenção norte-coreanos. Muitos são maltratados e condenados a trabalhar até a morte. Ativistas esperam que as denúncias se transformem em acusações contra Kim Jong-un e os membros de seu governo na Corte Internacional de Justiça, embora a comissão da ONU diga que isso não é possível no momento.

(Com agência Reuters)

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