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Começa julgamento de recurso contra Malaysia Airlines por voo desaparecido em 2014

Mais de 10 anos após sumiço do voo MH370, familiares de passageiros chineses exigem respostas e criticam indenização baixa

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jul 2026, 12h31 | Atualizado em 28 jul 2026, 12h31
Começa julgamento de recurso contra Malaysia Airlines por voo desaparecido em 2014 Priorizar nos meus resultados Google

Familiares dos passageiros chineses do voo MH370, desaparecido há 12 anos em um dos maiores mistérios não resolvidos da aviação, compareceram a uma audiência de apelação em Pequim nesta terça-feira, 28, para exigir respostas.

Em 8 de março de 2014, um Boeing 777 da Malaysia Airlines, que voava de Kuala Lumpur para Pequim, desapareceu dos radares com 239 pessoas a bordo, a maioria chinesas. Os passageiros, os destroços e as caixas-pretas da aeronave nunca foram encontrados, e o caso permanece um dos maiores mistérios da história da aviação civil.

Em dezembro de 2025, um tribunal de Pequim ordenou que a Malaysia Airlines pagasse 2,9 milhões de yuanes (cerca de R$ 2,14 milhões) a oito famílias de passageiros chineses. Desapontadas com a falta de respostas substanciais, duas famílias entraram com um recurso.

“Quando vi a sentença de primeira instância, tive a impressão de que o tribunal estava insultando as famílias dos passageiros, que estava zombando de nós”, disse Li Eryou, de 69 anos, à agência de notícias AFP antes de entrar no tribunal onde o recurso está sendo analisado. “Em 12 anos, ninguém nos pediu desculpas. Sinto uma raiva imensa”, acrescentou ele, que perdeu o filho a bordo do avião.

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Li disse ainda que o acidente é uma “uma questão internacional” e não pode ser tratado como “um simples acidente de transporte na China”. “É por isso que o valor da indenização é tão baixo” em comparação com os padrões habituais, disparou.

Especulações

Diversas teorias foram levantadas sobre o desaparecimento do avião: suicídio do piloto, sequestro, ataque com míssil americano ou até mesmo uma falha técnica que privou a tripulação de oxigênio — o avião teria continuado no piloto automático até ficar sem combustível e cair no mar.

Em 2018, porém, uma investigação oficial da Malásia concluiu que a aeronave foi desviada manualmente em pleno voo e não estava em piloto automático; também rejeitou as teorias de missão suicida e de uma falha mecânica. No entanto, acrescentou que “interferência ilegal por terceiros” não podia ser descartada

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“O principal motivo deste recurso é que o tribunal (…) não conduziu uma investigação completa dos fatos e não indiciou nem criticou a inação da Malaysia Airlines” desde 2014, disse à AFP Jiang Hui, que representa as famílias chinesas e cuja mãe estava no avião.

O tribunal “limitou-se a decidir sobre o valor da indenização, o que não reflete o que as famílias realmente esperam”, acrescentou.

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Segundo afirmou, a principal reivindicação das famílias “é que a verdade seja estabelecida”.

Buscas retomadas

Em dezembro de 2025, o Ministério dos Transportes da Malásia anunciou que as buscas pelo voo MH370 seriam retomadas. A empresa americana de robótica Ocean Infinity está na liderança do esforço, que tem operações realizadas de forma intermitente.

O país concordou com um contrato “sem resultados, sem pagamento” com a Ocean Infinity para retomar as buscas. Segundo o acordo, a empresa americana receberá US$ 70 milhões, mas somente se encontrar os destroços.

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Por ora, não deu resultado. Mas, no início de julho, o governo malaio acaba de anunciar a renovação do contrato para mais um ano de buscas, numa região ainda não vasculhada, onde, talvez, possa ter caído o avião.

Quando o voo MH370 saiu da rota e desapareceu dos radares de tráfego aéreo, transportava 12 tripulantes malaios e 227 passageiros, a maioria cidadãos chineses. Trinta e oito passageiros malaios estavam a bordo, juntamente com sete cidadãos australianos, além de nacionais da Indonésia, Índia, França, Estados Unidos, Irã, Ucrânia, Canadá, Nova Zelândia, Holanda, Rússia e Taiwan.

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