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Começa julgamento de ex-presidente argentino Fernando De la Rúa

O ex-presidente argentino Fernando De la Rúa (1999-2001) começou a ser julgado nesta terça-feira. Ao lado de outras seis pessoas, ele é acusado de compra votos do Senado em 2000, durante seu governo. O ex-presidente pode pegar até dez anos de prisão. O julgamento deve durar de seis a oito meses.

“É o caso de corrupção institucional mais grave desde o retorno à democracia”, disse nesta terça o ex-secretário parlamentar Mario Pontaquarto, que afirmou ter participado do esquema e acusou os outros envolvidos. Ele pediu a própria condenação. “Se não há condenação para mim, que me incriminei, não haverá condenação para ninguém”, disse.

Segundo denúncias feitas por Pontaquarto no início da década passada, o ex-presidente ordenou o pagamento de 5 milhões de dólares a senadores que votaram a favor de uma norma que modificava leis trabalhistas. Em 2005, o ex-presidente negou as acusações no livro “Operação política – O caso do Senado”.

Atualmente fora da política, De la Rúa ouviu por mais de duas horas a leitura da acusação sentado na primeira fila do tribunal.

Entre as cerca de 400 testemunhas, está a presidente Cristina Kirchner, na época senadora. Ela fará suas declarações por escrito, assim como os ex-mandatários Adolfo Rodríguez Saá (última semana de 2001) e Eduardo Duhalde (2002-2003).

Esta não é a primeira vez na Argentina que um ex-presidente é julgado. Carlos Menem (1989-1999) foi absolvido em 2011 – ele era acusado de contrabando de armas para Croácia e Equador e de acobertar um suspeito de participar do bombardeio do centro judaico AMIA, em 1994, que deixou 85 mortos e 300 feridos.

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(Com agência France-Presse)