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Começa a operação para desvirar o navio Costa Concordia

Trabalho de engenharia para resgatar cruzeiro naufragado não tem precedentes

Por Da Redação - 16 set 2013, 05h40

Começou nesta segunda-feira uma operação de engenharia sem precedentes na história: desvirar o Costa Concordia, o gigantesco cruzeiro que há 21 meses naufragou, causando a morte de 32 pessoas e encalhou no litoral da Ilha de Giglio, na Itália.

A operação de “parbuckling”, termo técnico com o qual se conhece o sistema com o qual se fará a rotação de 65 graus para que o navio volte a ficar em posição vertical, teve início com algumas horas de atraso em relação à prevista, devido a um forte temporal durante a noite.

A expectativa pelo início da operação levou mais de 500 jornalistas, procedentes de todo o mundo, à pequena localidade no oeste da Itália para acompanhar ao vivo a operação que deve desvirar a embarcação de 44.600 toneladas de peso, 290 metros de comprimento e cerca de 70 metros de altura. A operação será realizada pela sociedade americana Titan Salvage e pela italiana Micoperi. Cerca de 500 pessoas trabalharão para devolver o navio à posição vertical em cerca de doze horas.

Ricardo Setti: Começa uma operação de engenharia sem precedentes

Corpos – O comissário extraordinário para a emergência do Costa Concordia e chefe da Defesa Civil italiana, Franco Gabrielli, assegurou que tudo correrá bem e que a prioridade após endireitar o cruzeiro será a busca dos dois corpos que ainda não foram recuperados, a passageira Maria Grazia Trecarichi e o membro da tripulação Russel Rebelli.

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Mesmo após desvirado, o Costa Concordia permanecerá na Ilha de Giglio até o ano que vem, quando começará sua viagem final até um porto próximo, no qual o navio será desmontado – em seguida, será vendido como sucata.

A operação de “parbuckling” é muito delicada pois há partes do navio que precisam ser compensadas para evitar a deformação ou rompimento do casco. Quando estiver na posição vertical, a embarcação receberá quinze novas boias estabilizadoras, iguais as já instaladas na parte esquerda do casco.

Desastre – O naufrágio ocorreu na noite de 13 de janeiro de 2012. O capitão do navio, Francesco Schettino, foi apontado como um dos principais responsáveis. Ele está sendo julgado por uma corte italiana. Além de ser acusado de se aproximar demais da costa, provocando o choque, o capitão ainda deixou o navio antes que todos os tripulantes e passageiros fossem salvos. Um áudio em que o comandante Gregorio Maria De Falco, da Capitania dos Portos de Livorno, ordena a Schettino que volte ao navio e informe quantas pessoas precisam de resgate foi divulgado dias depois do desastre. Schettino tenta se esquivar e irrita a autoridade marítima. “Você está se recusando?”, pergunta De Falco. “Volte a bordo, c***!!” Após a divulgação, a imagem de vilão de Schettino se solidificou e a frase passou a estampar camisetas e outros objetos na Itália.

Apelidado pela imprensa italiana de “capitão covarde” ou “o homem mais odiado” do país, Schettino enfrenta múltiplas acusações, dentre as quais homicídio culposo múltiplo, abandono de navio, naufrágio, omissão de socorro e danos ao meio ambiente. Até o momento, cinco pessoas foram condenadas, sendo quatro tripulantes e o diretor da empresa proprietária da embarcação. As penas variam de dois anos e dez meses a um ano e meio de prisão. No entanto, nenhum dos condenados foi preso, pois as penas inferiores a dois anos de prisão foram suspensas. No caso das mais longas, cabe apelação, com a possibilidade de serem substituídas por serviços comunitários.

(Com agência EFE)

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