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Combates prosseguem na Síria, apesar do pedido de cessar-fogo de Annan

Por Leticia Bouyer 30 mar 2012, 15h23

O regime sírio intensificou nesta sexta-feira suas operações militares contra as cidades rebeldes, apesar de sua promessa de atuar pelo êxito da mais recente missão de paz, causando a impaciência do emissário Kofi Annan, que pediu um cessar-fogo imediato.

Ao mesmo tempo, os militantes, decepcionados com a cúpula árabe que, na quinta-feira, limitou-se a pedir o diálogo entre o regime e a oposição, convocaram manifestações para denunciar a inatividade dos países da região em relação a seu drama.

Os Estados Unidos, cuja secretária de Estado Hillary Clinton chegou a Riad para falar sobre a Síria, considerou que o exército não fez nada para respeitar o plano de Annan, que prevê a retirada dos tanques das cidades, fornecimento de ajuda humanitária e libertação dos presos.

Washington anunciou nesta sexta-feira sanções contra o ministro da Defesa sírio e contra dois militares de alta patente do Exército da Síria.

As sanções, anunciadas pelo Departamento do Tesouro, consistem no congelamento dos bens de Dawud Rajha, Munir Adanov e Zuhayr Shalish nos Estados Unidos, e na interdição de qualquer contato de americanos com eles.

O ministro Dawud Rajha, nascido em 1947, ocupa este cargo desde agosto graças à sua “lealdade” ao regime de Bashar al-Assad, de acordo com Washington.

Adanov é chefe adjunto do Estado-Maior “desde pelo menos julho de 2010 e acompanhou o presidente Assad em várias viagens internacionais importantes”. Ele é alvo de sanções da União Europeia desde agosto, revelou o Tesouro.

Já Shalish, que possui a patente de “major general”, “foi guarda-costas pessoal” de Assad.

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Já Kofi Annan, emissário conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, afirmou que Bashar al-Assad deve aplicar seu plano imediatamente, conforme declarou o porta-voz Ahmad Fawzi.

“Esperamos que aplique o plano imediatamente. Não constatamos o fim das hostilidades no local. É nossa grande preocupação”, afirmou a fonte, acrescentando que “é imperativo que cessem as mortes, cesse a violência, cabe às autoridades sírias executar o plano rapidamente”.

O Exército sírio bombardeava nesta sexta-feira bairros da cidade de Homs, onde rebeldes ainda estão entrincheirados.

Também intensificava os ataques na província de Idleb, incendiando casas, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), a violência já provocou a morte de 10 mil pessoas, em sua maioria civis, desde o início da onda de contestação em março de 2011.

Por fim, representantes de mais de 70 países “Amigos da Síria” são esperados no domingo em Istambul para aumentar a pressão sobre o regime e fazer avançar a implementação do plano de Annan.

Os chefes da diplomacia dos Estados Unidos, das principais potências europeias e a maioria dos países da Liga Árabe participarão nesta segunda conferência, na qual a oposição será representada por sua principal coalizão, o Conselho Nacional Sírio (CNS).

Rússia e China, países que representam os principais apoio ao regime sírio e que já bloquearam resoluções no Conselho de Segurança sobre a Síria, declinaram o convite.

Também não participarão do encontro Kofi Annan e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

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