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Combates entre o regime e jihadistas deixam 103 mortos na Síria

Desde abril, governo bombardeia quase diariamente a província de Idlib; além de soldados e terroristas, duas crianças morreram

Pelo menos 101 combatentes e duas crianças morreram nas últimas 24 horas em confrontos entre forças do regime sírio e grupos jihadistas perto da província de Idlib, noroeste da Síria, informou uma ONG nesta sexta-feira, 7.

Desde quinta-feira 6, pelo menos 53 combatentes pró-regime e 48 terroristas islâmicos morreram nos confrontos, que foram acompanhados por ataques aéreos do Exército sírio e da Rússia, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

“São os combates mais violentos desde o início da escalada na região”, ressaltou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Os combates começaram após um ataque lançado pelos jihadistas no noroeste da província de Hama, vizinha de Idlib. Como resultado dessa ofensiva, os terroristas assumiram o controle de dois vilarejos, Tal Maleh e Jibine.

A investida jihadista foi liderado pelos grupos terroristas Hayat Tahrir al-Sham (HRT, ex-facção síria da Al Qaeda) e Huras al-Din, pequeno grupo também ligado à Al Qaeda.

“Os combates continuam e são acompanhados por ataques aéreos do regime e da Rússia”, disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman. Eles acontecem perto de “regiões cristãs e alauitas sob o controle do regime”.

Desde o final de abril, o regime sírio apoiado pela aviação russa bombardeia quase diariamente a província de Idlib, dominado pela HRT, e territórios adjacentes sob controle jihadista nas regiões de Hama, Aleppo e Latakia.

Embora o governo de Bashar Assad não tenha anunciado uma ofensiva contra a HTS, tem travado combates no terreno há semanas.

Por sua vez, a agência oficial de notícias Sana afirmou que “unidades do Exército responderam com força aos grupos de terroristas”, indicando que essas unidades “recuperaram algumas posições” após os combates.

Além dos soldados e terroristas, duas crianças morreram nos ataques em Idlib nesta sexta, segundo o OSDH.

Mais de 300 civis foram mortos desde o final de abril. Pelo menos 24 hospitais e clínicas, além de 35 escolas, foram atingidos por bombardeios, segundo a ONU. Mais de 270.000 pessoas foram deslocadas.

A escalada em Idlib é a pior desde que Moscou e Ancara, que apoia alguns grupos rebeldes, anunciaram em setembro de 2018 um acordo sobre uma “zona desmilitarizada” para separar os territórios jihadistas e insurgentes das zonas adjacentes do governo.

Este acordo, que deveria salvar a província de uma grande ofensiva do regime, foi apenas parcialmente implementado por causa da recusa dos jihadistas em se retirarem da zona tampão.

Desencadeado em 2011 pela repressão de manifestações, o conflito na Síria já causou mais de 370.000 mortos.

(Com AFP)