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Combates em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, forte tensão em Damasco

Soldados do Exército sírio lutavam neste sábado, pelo segundo dia consecutivo, contra rebeldes em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, enquanto em Damasco o ambiente é de tensão após vários dias de ferozes combates.

“Os confrontos seguem desde sexta-feira entre as forças regulares e unidades rebeldes no bairro de Salahedin”, em Aleppo (norte), segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede na Grã-Bretanha.

A violenta jornada de sexta-feira deixou 233 mortos –153 civis, 43 soldados e 37 rebeldes– em todo o país, indicou o OSDH.

Os Comitês Locais de Coordenação (LCC), também ligados à oposição, indicaram “um êxodo dos moradores do bairro com medo dos bombardeios do regime e de uma ofensiva” contra Salahedin, no coração da capital econômica do país.

Aleppo, que havia ficado à margem da revolta popular contra o governo de Bashar al-Assad, assim como Damasco, registrou mobilizações nos últimos meses, sobretudo em sua universidade.

Em Damasco, a situação é se muita tensão neste sábado, mas o tráfego era normal no início do mês de jejum muçulmano do Ramadã. Os moradores da capital foram em grande número aos supermercados nestes três últimos dias.

“Há alguns dias, vou correndo para fazer as compras e volto em seguida para me esconder em minha casa”, explicou Suad, uma mãe de família.

Um morador do campo de refugiados palestinos de Yarmouk, no subúrbio do sul de Damasco, disse que não saía de sua casa desde quarta-feira. “É perigoso sair do campo porque há atiradores escondidos na entrada que atiram contra qualquer grupo” de pessoas reunidas, afirmou.

Segundo o OSDH, os bairros de Qadam e Assali, na periferia sul da capital, foram bombardeados pelo Exército durante a noite.

Depois de ter retomado o bairro de Qaboun (leste de Damasco), o Exército entrou em Jobar (leste), Ruknedin (norte) e, principalmente, nos “campos de Mazzé”, em Kafar Soussé (sudoeste), segundo o OSDH.

Uma fonte de segurança havia indicado à AFP na sexta-feira que, além de Midan, o Exército controlava Tadamoun (sul), Qaboun e Barzé (leste).

No plano diplomático, o Conselho de Segurança da ONU votou na sexta-feira a favor de um projeto de resolução apresentado pelos países europeus que prolonga por 30 dias o mandato da Missão de Supervisão da ONU na Síria (Misnus).

Segundo a embaixadora americana, Susan Rice, este prazo permitirá que os observadores “se retirem em segurança”.

Para o embaixador russo, Vitali Churkin, “a resolução não fala da retirada, e sim do prolongamento da missão” que ainda pode “ter um papel na redução da violência”.

Na quinta-feira, Rússia e China haviam vetado pela terceira vez uma resolução do Conselho de Segurança que estabelecia sanções contra o regime de Damasco. Washington prometeu atuar fora da ONU neste caso.

Qualquer ação fora da ONU será ineficaz e “menosprezará a autoridade desta organização internacional”, reagiu na sexta-feira o presidente russo, Vladimir Putin.

A União Europeia examinará na segunda-feira novas sanções contra Damasco, incluindo um reforço do embargo de armas, anunciou o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius.

Na sexta-feira, o Brasil anunciou que havia ordenado a saída temporária de seus diplomatas de Damasco. Estima-se que cerca de 3.000 brasileiros vivessem na Síria antes do recrudescimento da revolta. De acordo com o chanceler Antonio Patriota, poucos querem deixar o país.